Ativista negra é torturada no município de Senador Guiomard

Mulheres do Movimento Negro levaram o caso ao Ministério Público do Estado do Acre

A violência aconteceu em Senador Guiomar e repercutiu na Câmara de Vereadores na manhã dessa quinta-feira, 09. Mulheres que fazem parte do Movimento Negro levaram esse caso a Câmara, e pedem que as forças de segurança e o Ministério Público façam alguma coisa.

A vítima que não permitiu ter seu nome revelado, disse que no dia 20 de novembro fez um vídeo na praça central de Senador Guiomard criticando as investigações para os casos de feminicídio no município. Quando ela chegou em casa, encontrou um bilhete onde recebia ameaças. Ela então demorou um dia e procurou a delegacia, lá a polícia disse que não podia fazer nada. Quando ela chegou em casa encontrou outro bilhete com mais ameaças e até falando que ela não deveria ter ido até a delegacia.

No dia 30, dois homens entraram na casa dela com ajuda de mais dois, em Senador Guiomard, a sequestraram e a levaram para um ramal onde fica o presídio do município. Humilharam, torturaram, cortaram seus cabelos cacheados, acabando com sua imagem, bateram e por último rasgaram-lhe as roupas e disseram que ela tinha que correr que eles iam matá-la. Então ela saiu desesperada desse ramal e eles começam a atirar para cima. Eles não disseram o porquê fizeram essa violência, falaram simplesmente que ela iria descobrir.

Em vídeo a vitima afirma, “e as palavras que eles falavam sempre era que eu era nega, que ia acabar com o meu bombril, que ia acabar com o que eu mais gostava e que era pra mim parar de fazer o que eu estava fazendo, mas eu não sei o que é. Eu sempre perguntando o que é, que eu “tava” fazendo e eles diziam que eu ia descobrir porque eu queria ser tão inteligente, então eu ia descobrir o que eu estava fazendo. E aí mandaram eu correr e eu corri, né? Fui pedir ajuda no presídio e agora estou escondida, não posso estar na minha casa, estou na casa de amigos. atem dias que eu não consigo nem dormir direito, e só se eu tomar medicação. Eu estou sendo acompanhada por psicólogo, psiquiatra. Tudo mudou, minha vida não é a mesma”.

As mulheres do Movimento Negro procuraram o Ministério Público porque querem que a polícia e o MP entrem nesse caso pra que possa se fazer uma investigação pra descobrir quem são essas pessoas e porque eles fizeram isso. Se tem a ver com o trabalho que ela faz, porque além do ativismo e de proteger o direito das mulheres, ela também trabalha com o sindicato rural.

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