Condenado por matar esposa, policial tenta ser herdeiro da vítima

Erlane Cristina tinha 35 anos quando foi morta com um tiro na cabeça, em março de 2020

A condenação de Quenison Silva de Souza ocorreu oito meses após o crime. O policial penal foi condenado a 25 anos e 11 meses, por homicídio qualificado por motivo fútil e feminicídio. Na época, alegou que o tiro teria sido acidental. Erlane Cristina de Matos tinha 35 anos quando foi atingida, em casa, por um tiro na cabeça.

Um ano e meio depois da morte de Erlane Cristina, o crime volta a causar polêmica. É que mesmo preso e apontado como assassino da esposa, o policial penal entra na Justiça pelo direito de ser reconhecido como único herdeiro da vítima.

A defesa do policial alega que, contra ele não existe sentença penal condenatória transitado em julgado e que, por isso, ainda cabe recurso. Erlane Cristina não tinha filhos e os pais dela já são falecidos. Quenison Silva, na posição de companheiro por ordem sucessória, afasta a legitimidade dos irmãos da vítima para propor inventário.

O policial luta na Justiça pela totalidade da herança de Erlane, que, além de bens materiais, inclui seguro de vida que, juntos, podem atingir a soma de R$ 1 milhão. A família da vítima já entrou na Justiça a fim de impedir que Quenison ganhe a causa.

Uma das advogadas dos irmãos da vítima explica que existe uma ação própria nos casos em que a pessoas atenta contra a vida do autor da herança. “Essa é uma ação autônoma que nós propusemos, que ela se chama ação de declaração de indignidade, para que ele seja afastado da herança. Então, para que isto ocorra, nós precisamos a declaração da justiça no âmbito seguido”, afirmou a advogada Samarah Motta.

A advogada se mostra bastante confiante, ela acredita que, com as medidas que estão sendo tomadas, Quenison Silva não terá chances de ganhar a causa. “Toda pessoa que comete um crime contra a vida do autor da herança, contra a vida daquela pessoa que deixou bens e direitos, ele só será afastado dessa herança se a justiça for provocada, que é o que nós estamos trabalhando, estamos fazendo com que ele seja declarado digno de ser afastado, e caso contrário, ele não será afastado, mas estamos agindo”, concluiu.

Entenda o caso

O crime ocorreu em 11 de março de 2020 na residência do casal, no Estação Experimental. Erlane foi atingida na cabeça por um disparo de arma de fogo. Ela foi levada para o Pronto Socorro de Rio Branco, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Para o promotor Ildon Maximiano Peres, o crime foi praticado por motivo fútil, “motivado por discussão banal, uma vez que o denunciado não aceitava a possibilidade de término do relacionamento”. Por isso, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) ofereceu denúncia para que Quenison Silva de Souza, acusado de matar a companheira, fosse pronunciado e julgado no Tribunal do Júri.

Já em dezembro do mesmo ano, o policial perdeu seu cargo público em decorrência da condenação do feminicídio – matar uma mulher por sua condição de sexo feminino. Ele usou a arma de trabalho para cometer o crime contra a esposa.

Com informações de Débora Ribeiro para a TV Gazeta

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