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Em noves anos, Deam registra mais de oito mil inquéritos policiais

“Não é fácil, mas ele quis assim. Não aguentamos mais”, desaba vítima

“Estou aqui por causa do meu irmão. Ele é usuário de drogas. Quando chega em casa, ele rouba o que encontra pela frente. Dessa vez, ele pegou minha moto e trocou por mais drogas.” O depoimento é de uma jovem de 23 anos que procurou a delegacia especializada em atendimento a mulher, Deam.

Cansada de tudo que o irmão faz, ela resolveu procurar ajuda policial pela primeira vez. Não foi fácil percorrer o caminho até a delegacia. Afinal, a mulher vai prestar queixa contra o próprio irmão. “Não é fácil, mas ele quis assim. Não aguentamos mais”, desabafou.

Esse é apenas um de tantos casos que chegam diariamente a Deam. A unidade de atendimento especializado surgiu em 2005. Em nove anos, o número de inquéritos policiais aumentou consideravelmente.  Saltou de 208(2005) para 3.176(2013).

“Não é que a violência aumentou, as mulheres estão criando coragem para registrar a ocorrência, denunciar seu agressor”, analisa a delegada titular da Deam, Juliana D’Angelis. A maioria das agressões parte do companheiro da vítima. Em menor escala vem as denúncias contra ex-maridos, filhos que batem em mães e entre irmãos.

Das quatro capitais que mais registram casos de violência contra a mulher, todas ficam na região Norte. Rio Branco ocupa a segunda colocação. Os níveis ficam acima de dez homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes. Uma das explicações é a cultura machista que ainda predomina na sociedade.

Nos últimos quatro anos, 14 mulheres foram assassinadas na capital acreana em casos que envolvem violência doméstica. Em 2013, a Deam contabilizou 67 estupros. Desse total, nove vítimas eram menores de idade. Mais de 17 mil boletins de ocorrência estão registrados desde 2011.

Há mais de dois anos no cargo de delegada titular da unidade, Juliana D’Angelis conta que vai ser difícil esquecer o caso do marido que matou, a facadas, a companheira. Toda ação foi presenciada pela filha do casal, de três anos de idade. “Quando chegou aqui na delegacia e viu o pai, a criança fazia todos os gestos”, lembra.

Para a delegada, a maior divulgação da lei Maria da Penha é a principal contribuição em relação ao aumento de ocorrências. Ela destaca as medidas protetivas como garantia as mulheres que sofreram algum tipo de violência.

Além disso, existe uma rede de assistência para atender as vítimas. A Casa Rosa Mulher é um exemplo. No local, é possível receber consultas psicológicas, orientações e também aprender uma profissão. Vários cursos são oferecidos gratuitamente. Uma forma de possibilitar alternativas paras as mulheres que muitas vezes dependem economicamente do marido por não possuir uma fonte de renda.

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