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Facções trazem prejuízos às comunidades

Ônibus, postos de saúde: o cidadão privado de direitos

Ataques de facções deixam 750 pessoas sem atendimento em um dos centros de saúde do bairro Belo Jardim. Na noite de sábado, a sala de vacinas e a cozinha tiveram um princípio de incêndio e vários equipamentos ficaram danificados por causa de bombas caseiras.

Sem condições de manter a unidade funcionando, a secretaria de Saúde do município decidiu suspender os atendimentos até quarta-feira quando as salas e os aparelhos serão recuperados ou trocados.

O secretário de Saúde de Rio Branco, Oteniel Almeida, informou que outros dois centros também foram alvos dos bandidos, mas não houve danos. “Os moradores ajudaram, correram e apagaram o fogo. Com isso, as chamas não causaram prejuízos. Esses ataques só quem perde são os moradores, e muitas vezes é da família da própria pessoa que jogou a bomba que vai precisar de um tratamento e não vai conseguir”, lembrou.

Também no Belo Jardim, um ônibus que faz o itinerário ao centro da cidade foi incendiado na manhã de domingo. No sábado, os bandidos já tinham queimado outros dois coletivos nos bairros: Cidade do Povo e Canãa. Houve, ainda, duas tentativas em outros pontos da cidade, mas, o fogo não se alastrou.

No final da manhã de domingo, as empresas recolheram os ônibus para as garagens deixando vazios os terminais e as paradas durante praticamente todo o resto do dia.

O sistema de transporte coletivo só voltou a funcionar a partir das 16 horas de domingo e só funcionou até as 10 horas da noite. O diretor da Rbtrans, Gabriel Forneck, garantiu que nessa segunda-feira os serviços serão mantidos. “Vamos receber ajuda das forças policiais. Não podemos parar. Hoje é o retorno das aulas das faculdades particulares e as pessoas precisam do transporte”, disparou.

Nos últimos dois anos, as facções criminosas queimaram 9 ônibus com perda total, um prejuízo de quase R$ 3 milhões.

No domingo, 400 policiais fizeram uma varredura na cidade. No sábado, três pessoas foram mortas a tiros e outras três ficaram feridas. No bairro Vitória, um homem que, supostamente, não tem envolvimento com facções foi assassinado. No bairro Areal, dois homens atiraram em quatro jovens que estavam numa calçada. Um deles morreu na hora. No bairro Cidade do Povo, um policial à paisana matou um assaltante.

A ação das facções é uma retaliação à Secretaria de Estado de Segurança, que, na terça-feira, colocou mais duas torres e conseguiu fechar em 100% o bloqueio de ligações de aparelhos celulares no presídio de Rio Branco.

Segundo o secretário de Segurança, Emylson Farias, as ordens de ataques agora não partem de dentro do presídio. “São de lideranças que estão soltas, mas já demos a resposta: em dois dias, 29 pessoas foram presas e vão responder pelos danos causados”, alegou.

O secretário informou que já estava esperando esses ataques e vinha monitorando os líderes das facções. No sábado, enviou 22 deles para o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), para que não recebessem visitas.

“A nossa inteligência descobriu que membros da facção, em outros estados, estão tentando passar as coordenadas para os ataques no Acre, mas não conseguiam falar. Por isso, a revolta deles. Mas, não vamos ceder. Não adianta ameaçar. Vamos manter os bloqueadores”, garantiu.

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