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FDN entra no Acre para comandar rota fluvial do tráfico

Maconha “Juruá”: escura e produzida no Acre

A região do Juruá, que até pouco tempo era conhecida por ser um local de passagem da droga que vinha do Peru, agora tem um novo perfil que mudou a forma de atuar das polícias.

A região virou produtora de maconha. E, para piorar, a região pode ser o berço da entrada da facção criminosa Família do Norte (FDN), que surgiu no Amazonas, e vem dominando o tráfico de drogas usando principalmente as rotas dos rios.

A secretaria de Estado de Segurança desconfiou do novo produto quando apreendeu em Rio Branco uma maconha da cor preta, que agora passou a ser chamada de “Juruá”. As últimas apreensões apontam que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos podem ter áreas plantadas com maconha e até coca.

No mês de abril desse ano, duas operações das Polícia Militar e Federal apreenderam 250 quilos de entorpecentes na região do Juruá. A primeira foi numa área de densa vegetação na foz do Rio Paraná dos Mouras em Cruzeiro do Sul.

A PM apreendeu 180 quilos de cocaína e quatro dias depois, a Polícia Federal prendeu dois homens que estavam em um barco. Eles levavam três sacos com 70 quilos de maconha e 4 de cocaína. O flagrante aconteceu em Rodrigues Alves na comunidade Moju.

As duas apreensões feitas nos rios da região do Juruá chamaram a atenção das forças policiais por um detalhe: os traficantes eram membros da FDN, que migrou para as regiões mais distantes da Amazônia para comandar o tráfico de drogas.

A FDN sabe da fragilidade da fiscalização nos rios e criou rotas alternativas para a passagem da droga que vem do Peru e da Bolívia. A Polícia Civil começou a monitorar o trabalho da facção que começar a ter uma base forte no Juruá.

A facção Família do Norte é a maior organização criminosa criada no Amazonas. No início desse ano, a FDN foi responsável pelo 2° maior massacre da história do Brasil em um presídio.

O grupo criminoso degolou e esquartejou 56 traficantes rivais que faziam parte do PCC no Complexo Penitenciário Anísio Jobim em Manaus. Segundo a Polícia Federal, a FDN com um efetivo de 200 mil “narco-soldados”.

Se as autoridades do Acre estavam preocupadas com Comando Vermelho, PCC e Bonde dos 13, agora, tem mais um problema pela frente.

Além da entrada da nova facção, o Juruá também trouxe uma nova rota da maconha. “Antes, o entorpecente vinha do Mato Grosso, agora o Juruá está abastecendo os municípios que ficam às margens da BR-364”, considerou uma fonte ligada à Polícia Civil.

Em outubro do ano passado, a polícia descobriu uma plantação de coca na parte urbana de Mâncio Lima, que fica a 30 quilômetros de Cruzeiro do Sul.

“O local com tantos rios e área de difícil acesso para fiscalização da polícia, fica fácil manter uma plantação de maconha ou coca, e sem a presença das forças de segurança é fácil transportar o entorpecente”, relatou.

Existe, no mercado da droga, a maconha chamada de “Juruá”. Diferente da erva do Mato Grosso, é mais escura. Ela inverteu a rota da droga que antes chegava a Rio Branco vinda de outros estados.

Agora ela vem de Cruzeiro do Sul e abastecendo cidades como Tarauacá, Feijó, Manoel Urbano e Sena Madureira onde a violência está com índices altos.

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