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Julgamento do Antimary: irmão da vítima absolvido

Júri popular entendeu que Marcelo é inocente

Justiça promove julgamento do irmão e tio das vítimas do Monstro do Antimary. Ele invadiu a delegacia com um grupo de pessoas e participou da morte do assassino confesso.

O caso ocorrido há um ano, chocou a população do Acre. Jardineis da Silva, 25 anos, e a filha dela Amanda da Silva, de apenas seis meses, morreram nas mãos de Lucimar Bezerra, 33 anos.

O assassino confesso matou a mulher a facadas na comunidade Boa Esperança, região da floresta Estadual do Antimary, zona rural de Rio Branco. O criminoso, que ficou conhecido como o monstro do Antimary abriu a barriga da dona de casa, retirou parte das vísceras e costurou a pele. O corpo foi amarrado a pedras e jogado em um rio da comunidade.

O corpo do bebê foi enterrado e localizado dois dias após o crime. A criança teria sido morta com um golpe na cabeça. O laudo do IML apontou traumatismo craniano.
A barbárie foi justificada pelo criminoso como uma vingança particular. Ele era obcecado pela vítima. Já havia tentado violentar sexualmente Jardineis. Num surto de raiva, após ser afrontado pela vítima, ele matou mãe e filha.

Segundo o delegado que investigava o caso, o assassino teria confessado o crime logo após os fatos, aos próprios amigos da vítima.
A comoção tomou conta da pequena Bujari. Pessoas de toda parte foram até a casa do pai de Jardineis, no velório, para dar apoio a família e ao marido e pai das vítimas.

Um dia depois após o velório do bebê, a delegacia do município, onde estava preso Lucimar Bezerra, foi invadida por cerca de 50 pessoas. Armados com facas, os populares conseguiram ter acesso a cela onde o acusado estava. Ele foi atingido por inúmeras facadas, principalmente nas costas e morreu no local.

O delegado do Bujari na época, disse que não havia como conter a multidão que entrou na delegacia com sede de vingança. Ele também classificou como imprudência, transferir o preso de Rio Branco para o mesmo município onde moram os familiares das vítimas.

Entre as pessoas que invadiram o prédio, estava o irmão de Jardineis, Marcelo Oliveira da Silva, 19 anos. Ele foi a última pessoa a sair da cela, após o linchamento e foi visto uma faca na mão. O jovem foi detido, ouvido e liberado em seguida. Até hoje, ele respondia em liberdade e foi julgado pelo crime nesta sexta-feira na comarca do município. A sessão durou 5 horas e ao final, ele foi absolvido da acusação.

O promotor Fernando Henrique Santos explica que o Ministério Público acusou Marcelo de homicídio consumado privilegiado e qualificado, mas considerou a revolta popular.

“Num caso como era esse, onde era praticamente impossível não reconhecer a questão do privilégio, pelo relevante valor moral, em que as pessoas estavam bastante comovidas. A vítima tinha praticado um bárbaro com relação a família do acusado. Então em razão disso muitas pessoas invadiram a delegacia, então não seria coerente sustentar algo diferente, por isso o Ministério Público também se manifestou com relação ao privilégio e assim foi feito, em que pese os jurados tenham decidido diferente”, explicou.

Mesmo compreendendo o abalo que trouxe a família e amigos das vítimas, o promotor enfatiza que fazer justiça com as próprias mãos não é o caminho. “Infelizmente nós temos na história do nosso país, casos de linchamento de pessoas inocentes. Então o Ministério Público defende aqui um sentido até mais além do que somente a defesa da morte da vítima, mas também pra conscientizar que a justiça não é feita dessa forma, pelas próprias mãos”, disse.

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