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Justiça retoma interrogatório dos policiais do Mensalinho

 

Segundo MP, valor desviado ultrapassa R$ 1 milhão

 

A segunda vara criminal retomou nesta segunda-feira (15) o interrogatório dos mais de 100 policiais militares acusados de desviar recursos públicos. O esquema perdurou por mais de 2 anos e mais de R$ 1 milhão de reais foram desviados. O escândalo ficou conhecido como “Mensalinho da PM”.

 

Segundo a denúncia do Ministério Público, um tenente coronel, dois sargentos, três cabos e um soldado encabeçavam a rede de corrupção. O Tenente-coronel era diretor do departamento financeiro da corporação.

 

O desvio acontecia no gerenciamento das gratificações de atividades penitenciárias. Todo policial militar que desempenha funções nesse setor tem direito a uma gratificação que pode chegar a R$ 395,00 por mês.

 

O líder do esquema tinha o poder de incluir ou excluir a gratificação aos milicianos. Em contrapartida, os beneficiários irregulares eram obrigados a devolver uma porcentagem que variava de 20 a 50% do valor recebido.

 

Os policiais respondem ao processo porque, mesmo afastados do serviço no sistema penitenciário, continuavam recebendo a gratificação exclusiva para a atividade. Na lista extensa de acusação do Ministério Público, também estão nomes de PM’s que morreram antes do início do julgamento. O esquema perdurou entre janeiro de 2006 e julho de 2008. O valor desviado dos cofres públicos ultrapassa R$ 1 milhão.

 

O “Mensalinho” foi descoberto através de uma fiscalização no setor financeiro da Polícia Militar. A corregedoria da PM constatou as irregularidades, abriu inquérito e encaminhou o caso ao Ministério Público.

 

Segundo o sub-comandante Mário César, os cerca de 100 policiais envolvidos não foram afastados de suas funções. Depois da denúncia, algumas providências foram tomadas no setor financeiro da PM.

 

“A Polícia Militar procura melhorar o seu sistema de controle e fiscalizar. Se houve falha em algum momento nós procuramos corrigir para que o fato não volte a acontecer”, declarou o sub-comandante da PM Coronel Mário César.

 

Durante o interrogatório dos acusados, um policial informou que este mês teve descontado no salário a primeira parcela do valor que deve aos cofres públicos. Outro PM disse em sua defesa ao juiz, que não tinha o costume de verificar o contra-cheque e, por isso, não sabia que recebia o benefício irregularmente. A fase interrogatória do processo deve ser concluída até quarta-feira.

 

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