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Operação buracos: 16 pessoas foram levadas para depor

Acusado de cinco crimes, incluindo organização criminosa

Às 5 horas da manhã dessa segunda-feira, agentes levaram o prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre e a esposa dele Gicélia Viana, para depor na sede da Polícia Federal. O prefeito é investigado como um dos líderes de um esquema de desvio de recursos do Deracre em obras de asfaltamento da BR-364.

Além de Marcus Alexandre e Gicélia, outras 14 pessoas foram levadas coercitivamente para depor, entre eles alguns ex-diretores do Deracre: Ocírodo Júnior, Fernando Moutinho, Edson Alexandre e Joselito Nóbrega.

Na investigação que completou um ano, existe uma força tarefa do Ministério Público federal, Controladoria Geral da União, Receita Federal e Tribunal de Contas da União.

A investigação aponta que existem vários indícios de superfaturamento de serviço de medição, principalmente em escavação e preparação de base e sub-base. Algumas obras não foram feitas e, mesmo assim, o Deracre pagou.

O secretário Nacional de Combate à Corrupção do TCU, Rafael Jardim, veio acompanhar essa fase da investigação que ouviu servidores púbicos e empresários de Rio Branco, no Acre; Porto Velho, Ji-paraná e Pimenta Bueno, de Rondônia; Cuiabá no Mato Grosso e Araraquara, São Paulo.

A operação chamada de “Buracos” faz referência às obras da BR-364 que, mesmo depois de gastos bilhões de reais, hoje se encontra em péssimas condições. “As denúncias de desvio de recursos da BR fizeram surgir 44 inquéritos nos últimos 10 anos, a maioria foi arquivado por falta de provas. Agora, a Polícia Federal com nossa ajuda e de outros órgãos fiscalizadores vai conseguiu descobrir como eram feitos os desvios de recursos e apresentar a denúncia completa à Justiça”, revelou Jardim.

Nos últimos 17 anos, foram gastos R$ 2,5 bilhões com obras na BR-364. Preliminarmente, a PF cogita que R$ 700 milhões foram desviados. Em alguns trechos, a camada de asfalto deveria ter 5 centímetros.

Os fiscais da controladoria geral da união verificaram que foram colocados apenas três centímetros. Só na área analisada o prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 4,5 milhões.

A Receita Federal descobriu que dois investigados chegaram a movimentar nos últimos anos em torno de R$ 10 milhões, valores incompatíveis aos salários que recebiam. A receita está rastreando bens que foram comprados e colocados em nomes de parentes.

Durante o cumprimento dos mandados foi descoberto na casa de um dos investigados uma caixa com R$ 15 mil e um revólver.
O procurador do MPF, Rodrigo Sales, informou que em Porto Velho três funcionários do Dnit foram afastados. Eles são acusados de atestarem medições do Deracre mesmo sabendo que a obra não tinha sido feita ou de má qualidade.

O Governo do Estado divulgou uma nota em que presta solidariedade aos ex-diretores do Deracre, que, segundo a nota, apesar de honestos, passaram pelo constrangimento se serem levados para depor. A nota diz ainda que entende a investigação da Polícia Federal e a história vai dizer a importância do que foi feito pela BR-364.

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