191017-politica-domjoaquin-acriticadoacre

“A Igreja foi ferida”, diz convocação

Encontro resolve problema, mas não cura ferida

O Bispo Dom Joaquin Pertiñez tem encontro agendado com o governador Tião Viana na tarde desta quinta-feira (19). Nessa reunião, o representante formal da Diocese de Rio Branco quer demonstrar força. Em um comunicado repassado aos padres da Capital, observa-se o espírito de disputa em que o cenário está moldado. “A Igreja foi ferida”, diz a convocação. “Dados os últimos fatos, queremos contar com a presença de todos os padres, num ato de apoio ao bispo e sinal de unidade e comunhão. Ele não pode estar sozinho nesse momento”.

A reunião ocorre depois de o secretário de Estado de Saúde, Gemil Júnior, ter divulgado uma nota em que pontua parcialmente a relação entre Sesacre e o Hospital Santa Juliana, por meio da Diocese de Rio Branco. A nota, no entanto, não pontua especificamente o que será feito pelo Governo do Acre diante do gesto da Diocese de Rio Branco, responsável pela gestão do hospital.

Para rebater a afirmação do Conselho Presbiterano de que “o Hospital Santa Juliana não pode continuar financiando o Estado”, o secretário tenta demonstrar o contrário e oferece alguns números. A longa nota está a seguir.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria de Estado de Saúde esclarece à população acreana sobre os fatos relacionados à decisão da direção do Hospital Santa Juliana de restringir o acesso de pessoas ao atendimento de cirurgias cardíacas naquela unidade, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

É uma ruptura sem a prévia comunicação formal e que nos surpreende, pois sempre procuramos manter uma relação pautada no respeito e no bom diálogo da capacidade de ouvir e opinar, para bem atender aqueles que mais necessitam. O Acre é um dos poucos estados que tem a capacidade de oferecer serviços que tem a consideração e a acolhida da maioria de sua população.

Desde janeiro de 2011, o governo vem fazendo investimentos e valorizando o referido hospital. Ampliamos os serviços, levamos cirurgias pediátricas, cardíacas que antes não eram realizadas, bem como incentivamos o oferecimento dos serviços de média e alta complexidades.

A bem da verdade, o Poder Público é o principal financiador daquela Unidade Hospitalar. No ano de 2008, foram investidos R$ 6.093.485,46, para a realização de 7.784 procedimentos de média e alta complexidade.

Em 2016, os procedimentos foram reduzidos para 5.640, enquanto o governo pagou R$ 15.955.760,81. No ano de 2017, até o momento, o Poder Público pagou a enorme quantia de R$ 15.885.031,41 em 3.964 procedimentos.

Os números, por si, revelam o quanto foi investido para que a população acreana tivesse o atendimento que antes só era possível conseguir em outros estados brasileiros.

Reafirmamos que sempre mantivemos as portas do diálogo abertas, mas defendendo a legalidade e as boas normas do direito administrativo público. A nossa relação com as entidades sempre foi pautada na confiança mútua e na legalidade, mas neste caso, especificamente, houve um fato grave: enviamos a minuta do oitavo termo aditivo ao contrato vigente apenas para que houvesse concordância ou não da parte contratada, conforme entendimento prévio. Nos causou espécie, o documento ter sido adulterado, sendo inseridos termos contratuais diferentes dos que foram enviados, sem qualquer diálogo, colocando em risco a segurança jurídica do Hospital, da Secretaria de Estado de Saúde e dos seus gestores.

Desde que isso ocorreu, a Secretaria decidiu aguardar a boa-fé e a afirmação da verdade. Mas, em vez disso, veio a decisão unilateral do não diálogo e sem o devido processo fraterno e jurídico, que deveria nortear a relação.
Estamos encaminhando os fatos, por meio da Procuradoria-Geral do Estado, ao Ministério Público Estadual e órgãos competentes, para que haja uma solução formal desse impasse.

Se a posição da direção do hospital for mantida, iremos procurar alternativa, urgentemente, em outra unidade de saúde para que o atendimento à população não seja prejudicado.

Temos respeito e amizade pelas instituições cristãs. O Papa Francisco, para nós, é referência de fé, humildade e de uma revolução como resposta à uma civilização em crise. O trabalho e dedicação dos Servos e Servas de Maria Reparadoras e de tantos representantes diocesanos são exemplos de vida e dedicação em comunidade, que fazemos questão de reconhecer.

Mas reafirmamos que o respeito e a responsabilidade não eximem de que tenhamos divergências contra atitudes que confrontem com o nosso compromisso e trabalho adequado com a população acreana.

Gemil Salim Junior

Secretário de Estado de Saúde

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*