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Acordo comercial com Peru adiado para janeiro

Para garantir venda de porco, governo tem que ceder

O evento anunciado para o dia 8 de dezembro entre os ministérios da Agricultura do Peru e do Brasil que formalizaria o início da exportação da carne de porco produzida no Acre foi adiado para a “quarta semana de janeiro”.

A informação foi confirmada pela Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura do Brasil. A primeira data havia sido marcada para 30 de novembro; depois foi adiada para o dia 8 de dezembro e agora para janeiro do ano que vem.

A relação comercial entre os dois países tem endereço certo. Está focada, inicialmente em dois produtos. O Brasil/Acre oferece carne de porco e o Peru vende leite. A lista peruana continha 10 produtos. Mas, inicialmente, foi definido que o leite seria o produto ofertado.

Existe aí, um perigo para o Acre que precisa ser muito bem calculado pelos técnicos do Governo Estadual. A indústria peruana que vai comercializar com o Brasil/Acre é a holding Gloria. Como se não bastasse a força econômica deste grupo, a unidade industrial de laticínios é praticamente nova e tinha a assinatura da Nestlé, que desistiu do empreendimento.

Isso é uma ameaça não apenas para a incipiente cadeia produtiva do leite do Acre, mas para as indústrias de Rondônia que abastecem o mercado acriano praticamente sem concorrência.

Os executivos do Grupo Gloria já fizeram extensas visitas técnicas ao Acre. Foi avaliada a capacidade de instalação de uma unidade de beneficiamento de leite no Acre. Mas, o que os industriários viram não agradou. Sem escala de produção, sem capital instalado, sem infraestrutura e uma legislação trabalhista pouca atrativa nos parâmetros do grupo, o que se avaliou foi que o Acre não é atrativo para uma empresa do porte do Gloria.

Agora, eles encontraram uma forma de estar no Acre: vendendo. Com força junto a qualquer governo do Peru, encabeçou a lista de 10 produtos apresentados ao Ministério da Agricultura do Brasil. Para o Acre, na prática, o raciocínio é o seguinte: para viabilizar a Dom Porquito e consolidar a cadeia produtiva da suinocultura é preciso abrir mão da cadeia produtiva do leite. A abrangência dessa decisão é que precisa ser muito bem avaliada pelos técnicos do Governo do Acre.

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