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Acordo do Mapa não é com a Peixes da Amazônia

Rescisão guarda relação com o Governo do Acre

O acordo de cooperação que o Governo do Acre anunciou que rescindirá com Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento não modifica a rotina de fiscalização no Complexo de Piscicultura. A medida tem impacto direto na infraestrutura do serviço do Mapa no Acre porque vai transferir 13 servidores do Estado que estavam cedidos para o ministério. São funcionários da Secretaria de Estado de Agropecuária, da Secretaria de Estado da Educação, Instituto de Defesa Animal e Florestal do Acre.

Dentro do Complexo de Piscicultura, o Ministério da Agricultura continua com a mesma obrigação de fiscalizar e liberar os lotes processados na indústria. O acordo do Mapa não é com a Peixes da Amazônia. É com o Governo do Estado do Acre.

A decisão de rescindir o contrato é consequência da divulgação de uma inspeção que resultou na retenção de 18 toneladas de pescado com suspeita de estarem contaminadas com a bactéria salmonela. As amostras foram enviadas para laboratórios fora do Acre no dia 17 de agosto e devem ser concluídos na próxima quinta-feira (31). A bactéria causa diversas reações ao ser humano, como infecção, por exemplo, quando ingerida, através dos alimentos.

Os peixes foram retidos no próprio Complexo de Piscicultura, segundo o superintendente regional do Mapa no Acre, Luziel Carvalho, até que novos exames sejam realizados e a indústria apresente um plano de ação que resolva o problema identificado.

Para o Governo do Estado, a medida foi uma afronta política, uma vez que o atual superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Acre é uma indicação direta do senador Gladson Cameli, pré-candidato ao Governo do Estado, em oposição ao atual governo. O Palácio Rio Branco entendeu como “precipitada” a divulgação dos resultados dos exames que só devem ser finalizados formalmente na próxima semana. Por isso, rescindiu o acordo de cooperação com a superintendência do Mapa no Acre.

“O que não pode o superintendente politizar, partidarizar e querer destruir a imagem de uma indústria acriana que é a mais moderna do Brasil, uma das cinco melhores da América do Sul, que num trabalho de rotina não poderia ter sido transformado num drama de denegrir e destruir a imagem de uma indústria tão moderna, tão importante pra 6 mil famílias de pescadores. Mas a gente trata no seu devido tempo”, disse o governador Tião Viana.

Enquanto o impasse não é resolvido, o superintendente regional do Mapa também prefere se resguardar. Segundo ele, a partir de agora, o assunto será tratado entre Governo Federal e Estadual.

“O secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Rangel, avalizou todos os procedimentos que foram adotados aqui no estado do Acre e ele chamou pra si agora, pra ele poder se manifestar e prestar esclarecimentos ainda relacionados a esse fato. A superintendência do Acre não irá mais se pronunciar, considerando que estão querendo desvirtuar o sentido da ação do Ministério da Agricultura. Nosso sentido é fortalecer a cadeia produtiva local, preservando a qualidade do produto que é colocado no mercado. E não vamos fugir dessa competência”, respondeu.

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