0909-cotidiano-manoelurbano2

Acre participa de COP-20 sobre mudanças climáticas

Retórica de inovação não acaba com miséria

O Acre leva para Lima uma retórica de inovação fundamentada no comércio do crédito de carbono: a redentora parceria com os bancos europeus que salvou as finanças do Estado do Natal passado.

Exceção feita, nada mais há de novo no portfólio acriano que é apresentado na 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-20).

O Governo do Acre faz a parte dele, apresentando-se como “inovador”. Mas, do ponto de vista estritamente técnico, os próprios gestores sabem que de inovação mesmo, nada existe.

Desde a leitura sempre otimista dos dados do Inpe sobre desmatamento até a “auto-admiração” pela ampliação da base produtiva (fundamentada no Complexo de Piscicultura, Dom Porquito e Acre Aves) o governo vai tentando se iludir e, ao mesmo tempo, se incluir no seleto grupo da “economia de baixo carbono”.

Na prática, a situação é bem outra. Um estudo feito a pedido do jornal Folha de S. Paulo por pesquisadores associados ao Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) com base nas informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) escancara uma realidade diferente da que se apresentará na terça-feira.

Os dados mostram que, no Acre, 34,8% das famílias extremamente pobres não recebem nenhum tipo de benefício do poder público. Esse dado é uma afronta ao discurso do Governo do Acre que já se apressou em dizer que “eliminou a extrema pobreza”.

E os dados da pesquisa assinada por Andreazza Rosalém e Samuel Franco desmascaram mais ainda. Mostram que a situação teve uma pequena piora no que se refere ao aumento de famílias em extrema pobreza no Acre.

O estudo mostrou que, pela primeira vez desde 2003, a pobreza extrema no país parou de cair. Por precaução e limitações da base amostram, os pesquisadores usam o termo “estagnação da miséria” ao invés de aumento.

Se servir de consolo, os dados mostram que o Acre está em uma situação menos ruim se comparado aos estados da região Norte.

Deixe uma resposta