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Agenda do ministro dos Transportes gera insegurança

Ministério dos Transportes: Acre fora da agenda

A incerta e vacilante agenda do ministro dos Transportes em relação ao Acre tem gerado um misto de frustração e incerteza em muitos empresários locais. Mesmo nos momentos mais dramáticos do isolamento do início do ano, não se viu a figura franzina e discreta de Paulo Passos por aqui.

Até causa uma certa estranheza já que Passos representa os olhos e os ouvidos de Lula no ministério dos Transportes. Ele conhece como poucos a importância da BR-364. No final do mandato do ex-presidente, inclusive, o seu chefe lhe pegou pela mão e prometeu, aos berros (em uma solenidade no Juruá) que até o final daquele distante 2010 a BR-364 estaria asfaltada até Cruzeiro do Sul.

O asfalto, como se sabe, não veio. Mas, compreende-se o esforço feito diante dos invernos cada vez mais rigorosos por essas bandas. Ao menos a estrada permaneceu aberta durante os anos seguintes. Isso já fez alguma diferença para poucas empresas.

Mas, no episódio do isolamento, a discrição de Passos se aproximou da indiferença e da omissão. É natural que durante e após a cheia do Madeira, Passos tenha recebido mais ligações do Palácio Rio Branco e tomado meia dúzia de providências. Era o mínimo a ser feito. Mas, há algo de simbólico na presença física de um ministro de Estado: ela demonstra preocupação, sintonia, sensibilidade.

Ao não ser a indiferença e a omissão já citadas, nada explica a ausência do ministro nos últimos seis meses no Acre e em Rondônia. Nesse período, não se tem notícia da presença de Paulo Passos no meio dos caminhões e tratores do Dnit nos trinta quilômetros que, por pouco, não deixaram o Acre sem comida.

O que espanta sobre Brasília, sobre o Sul e o Sudeste não é o fato de não compreenderem a Amazônia. O que beira a indignação é não se perceber o mínimo esforço em tentar entender o que acontece por aqui.

Literalmente, forçada a “se virar”, a iniciativa privada busca no Peru uma alternativa para o abastecimento. O verão anuncia ser rigoroso e o inverno, pela história, chega em três meses. Os empresários que se deem por satisfeitos se o Dnit conseguir ao menos tapar os buracos deixados pela cheia histórica do Madeira.

É preciso construir uma referência importante: parte da bancada federal e os representantes da classe empresarial não foram omissos nesse período de seis meses pós-cheia do Madeira: buscaram apoio e fizeram a pressão que a cortesia e o republicanismo exigem. Só não encontraram resposta eficazes. Valhei-nos, São Pedro!

 

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