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Aleac ouve mães que perderam filhos em maternidade pública

Relatos sugerem negligência: falta transparência nos laudos

Comissão de sindicância da Aleac promove audiência para ouvir uma das mães que perdeu o filho na Maternidade Bárbara Heliodora, supostamente por erro no atendimento. Ao todo, a comissão pretendia investigar 13 óbitos ocorridos no período de um ano na unidade hospitalar.

Em depoimento emocionado, a assistente administrativo Kassia Cristina, 23, foi ouvida por parte da comissão de sindicância da Aleac. A voz embargada da mãe que perdeu o filho durante o parto na Maternidade Bárbara Heliodora comoveu quem acompanhava o relato.

Aos oito meses de gestação, a bolsa amniótica estourou e a jovem foi para a unidade pública com três centímetros de dilatação.

Era uma terça feira e o parto só aconteceu dois dias depois. Perdendo líquido e sangue e sem evoluir na dilatação, Kassia afirma que pediu por várias vezes pela cesariana. A jovem explicou que forçaram o parto normal.

Tomou medicação para acelerar o processo. Na hora do nascimento, o coração do bebê acelerou e ela foi encaminhada com urgência ao centro cirúrgico. “Eles pediam pra eu fazer força, e na terceira vez o médico pediu pra eu parar por que se não iria matar meu filho. Mas, eu não tinha mais controle. Eu não tinha mais controle. A contração vinha e o instinto era fazer força. Me levaram pro centro cirúrgico quase morta. Eles dizem que meu filho nasceu morto. Meu filho não nasceu morto.
Meu filho nasceu vivo. Eu vi, ele fazia que nem um motor, tentava respirar e não conseguia”, disse.

Kassia apresentou à comissão comprovantes do pré-natal e dos exames médicos. Ela teve uma gravidez saudável. Até hoje ela não sabe a causa da morte do primeiro filho.

“Sonho [em ter outro filho], mas não sei se consigo. Faz sete meses que perdi e ainda não superei”, disse a jovem. Kassia também desmentiu a Secretaria de Estado de Saúde durante a audiência.

Na época, a Sesacre teria afirmado à imprensa que a família receberia assistência funeral e atendimento psicológico, o que não aconteceu.

A Comissão pretendia ouvir 13 mães que perderam seus bebês na Maternidade Bárbara Heliodora no período de junho de 2015 e junho de 2016. Contudo apenas cinco mães se prontificaram em falar. Mas, é compreensível a atitude. Afinal a cada relato, elas revivem a dor de terem perdido seus filhos.

De acordo com a deputada Eliane Sinhazique (PMDB), as audiências têm o objetivo de apurar os óbitos ocorridos, mas principalmente evitar que outros, por negligência, aconteçam.

“A nossa intenção é apresentar onde estão as falhas e quais são as medidas que a maternidade precisa tomar pra corrigir essas falhas pra que isso não seja recorrente”.

As audiências continuam, de acordo com o relator. A comissão reúne também laudos, prontuários, exames e informações do atendimento básico de saúde das mães durante a gestação.

“Que seja um relatório propositivo e que diga quais os pontos que precisam ser melhorados para o atendimento ser melhor oferecido”, disse o deputado Jenilson Leite (PCdoB).

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