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Analfabetismo: o foco do governo deveria ser outro

Mesmo com distorções, o Acre tem melhorado com o tempo

Leitura dos dados disponibilizados pelo Datasus (que usa como base fontes do IBGE) mostra que a taxa de analfabetismo no Acre cai periodicamente. Fazendo um recorte de 1991 a 2010, isso fica evidente. Uma das evidências pode ser conferida em um segmento específico: a taxa de analfabetismo entre a população jovem.

É essa população que aponta a “saúde educacional” de uma região. É essa população analfabeta que denuncia a qualidade de gestão e quanto de esforço ainda será necessário ser feito para mudar o quadro educacional em uma região. Pois é justamente nesse segmento que a taxa tem diminuído no Acre. Essa é a “torneira que tem que ser fechada”.

Ter jovens de 15 anos (ou algo próximo a isso) analfabetos é uma vergonha e um drama. E o que os números mostram é que, para além da Frente Popular, existe o esforço de reverter a situação. É bem verdade que após 1999 o ritmo de ações governamentais aumentou muito para acabar com o problema.

Os números: em 1991, a taxa de analfabetismo no Acre entre pessoas de 15 a 24 anos era de 26,64% (mais de ¼ da população do estado). Em 2000, avaliando a mesma população, o número já caiu para 13,23%. Em 2010, a queda foi vertiginosa: 5,50%. A taxa de analfabetismo foi calculada para a população acima de 15 anos em cada período e representa o percentual da população analfabeta em relação à população total.

Agora, em 2017, os últimos dados do IBGE não trouxeram a estratificação que permitam pontuar nesse nível com os números já consolidados de outros registros. Mas, a continuidade das ações de governo permite especular que a taxa tenha seguido a tendência de queda.

O foco da atual gestão deveria continuar sendo a busca em “fechar a torneira”. Priorizar o combate ao analfabetismo entre os jovens. Mesmo porque, os gestores em Educação que entendem do assunto fazem distinção entre alfabetização/educação de adultos com “campanha de alfabetização”.

A “erradicação” do analfabetismo é uma busca mais midiática/política/eleitoral do que efetivamente preocupada com a qualidade da Educação. Em regiões como o Acre, inclusive, fica evidente que a “Educação” como é entendida pelo senso comum, nem é necessária. E o povo entende isso melhor que os governos.

Os números mostram que, por aqui, a taxa de analfabetismo é maior quanto menor for a cidade e quanto mais velha for a população avaliada. Com destaque para a alta taxa entre a população indígena. Tem lógica: uma pessoa idosa, indígena, com pouca relação com os centros urbanos sente-se pouco estimulada a ser “alfabetizada”. Talvez “educada” em uma ou outra área (alguma orientação em Saúde ou no segmento de produção agrícola). Talvez.

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