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Artigo da Semana: “Imigrantes no Acre”, por Agostinho de Souza

De revolta em revolta, estorou a revolução comandada pelo gaúcho Plácido de Castro

A ocupação das terras bolivianas na fronteira entre o Brasil e a Bolivia ocorreu no final do século XIX , quando o Brasil ainda era um Império, no período colonial do reinado de Dom Pedro II, até então eram terras legítimas bolivianas. Aos poucos foram chegando de mansinhos os arigós do Nordeste, imigrantes árabes, de origens libanesa, sírios, turcos e judeus. Os árabes e judeus eram muitos dados ao comércio, viajavam pelos rios da Amazônia regateando mercadorias com os poucos habitantes dos seringais bolivianos e brasileiros.
O tempo foi passando e a comunidade brasileira na fronteira entre os dois países aumentou em território boliviano. Até que de revolta em revolta, estorou a revolução comandada pelo gaucho Plácido de Castro que teve início em 1903 e terminou em 1906 com a derrota das tropas boliviana.
Em 1945, Hitler invadiu vários países da europa – começa assim a Segunda Guerra Mundial. O Brasil participa da guerra depois de ter um submarinho afundado em águas brasileiras. Junto com os EEUU, o Brasil entrou na guerra contra o Ditador sanguinário, o maluco alemão Adolf Hitler, que matou mais de 5 milhões de judeus na Europa.
Em plena guerra, o Brasil assina um tratado com os Estados Unidos para o fornecimento do latex (borracha) para suprir as necessidades do produto à industria bélica americana. A partir desse momento, centenas de brasileiros do Nordeste são recrutados em vários estados e enviados em navios para à Amazônia e, principalmente para o Território do Acre. Os arigós como eram chamados, conhecidos ao chegaram no Território do Acre, foram abandonados nos barrancos do Rio Acre, muitos morreram de malária, outros foram comidos pelas onças da floresta amazônica.
Na década de 70, aconteceu a segunda imigração chamada de “paulista” promovida pelo filho de seringalista, Francisco Vanderley Dantas, o Dantinha. Essa imigração, ocupação de terras acreanas, foi a mais violenta da história do Acre, em consequência dela vários lideres do Sindicato Rural foram assassinados, sendo os mais conhecidos Wilson Pineheiro e Chico Mendes.
Por sua vez, a última e terceira leva de imigrantes a chegarem no Estado do Acre, a pouco mais de dois anos, foram haitianos, fugindo da tragédia do terromoto que destruiu e matou milhares de pessoas no Haiti. Depois do terremoto, desesperados, sem ter o quê comer, sem casas e com várias epidêmias, eles abondanram o país e imigraram para outros pasíses. O Brasil foi o destino de milhares de haitianos – homens, mulheres e crianças. Sairam do Haiti, cruzaram a Guatemala, o Perú e Bolívia e chegaram a fronteira do Brasil pelas cidades de Iñapari (Perú) e Cobija (Bolívia).
Todavia, ao entrarem em território brasileiro, o governador Tião Viana colocou à disposição dos imigrantes haitianos toda a estrutura da Secretaria de Direitos Humanos do Estado para prestar serviços humanitários e solidariedade aos irmãos haitianos que chegaram ao Acre. Apesar dos poucos recursos financeiros do Estado e sem o devido apoio do Governo Federal, o governo do estado conseguiu acolher a todos. Legalizou toda documentação dos imigrantes, só assim eles conseguiram seguir viagem para o Sul e Sudeste do país em busca de trabalho e dignidade humana.

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