040817-politica-cezarineteangelimregina-tvgazeta

Cezarinete Angelim perde e se diz “serena”

Tradição de mais de 50 anos foi quebrada

Por apenas um voto de diferença, a corte do Tribunal Regional Eleitoral do Acre elegeu a desembargadora Regina Ferrari para a presidência do tribunal. Era esperado que a desembargadora Cezarinete Angelim fosse a escolhida devido alguns critérios de tradição da corte. Um deles é o fato de que, por ter presidido o Tribunal de Justiça, tradicionalmente, a presidência da corte eleitoral, em situação ordinária, deveria ficar com Cezarinete. Mas, não foi assim: a votação foi marcada por tensão.

Quem acompanhou a votação no TRE notou um clima estranho desde o início da sessão. Nos bastidores uma novidade: a desembargadora Regina Ferrari colocaria seu nome para concorrer à presidência. Até então, existia apenas o nome da desembargadora Cezarinete Angelim, atual presidente em exercício do TRE.

O cargo não acrescenta valores ao salário do desembargador, mas sim, poder. Talvez, por isso, que a plateia de servidores e autoridades do executivo e judiciário assistiram a algo novo.

Para começo, em ato falho, o cerimonial anunciou a chegada dos juízes e do procurador da corte, esquecendo o nome da desembargadora presidente em exercício, Cezarinete Angelim. Isso não foi corrigido e a sessão iniciou, com posse de Regina Ferrari como membro do TRE.

Pela primeira vez, a corte do TRE quebra a tradição. A escolha para a presidência sempre prioriza o membro mais antigo e que nunca assumiu o posto no tribunal. Pela tradição, estava certo que a desembargadora Cezarinete Angelim seria eleita, mas não foi a opção dos membros da corte.

Por quatro votos a três, Regina Ferrari foi eleita presidente. Como as candidatas votam, foram três votos dos demais membros para Regina e dois para Cezarinete.

“Ser eleita presidente do TRE significa assumir mais um grande desafio, que é uma função de muita responsabilidade. Nós que somos magistrados já estamos acostumados na luta do dia a dia, então será uma responsabilidade a mais”, comentou.

Visivelmente decepcionada com a decisão da maioria da corte, Cezarinete Angelim disse que é preciso se abrigar na teoria de que há um tempo para todas as coisas.
“Com certeza Deus está a me livrar de algo pior. Estou tranquila, serena. Quebrou-se sim, uma tradição de mais de meio século, mas são os percalços da vida. Eu creio que há um tempo pra tudo debaixo do céu e há tempo de descansar”, disse.

A posse deve acontecer nos próximos dias e a nova presidente assume o tribunal para o biênio 2017/2019. A desembargadora Cezarinete Angelim fica automaticamente na vice-presidência.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*