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Ciência, Tecnologia e Agronegócio: uma reflexão

“É preciso vender um conceito de desenvolvimento”

O ano de 2018, enfim, chega ao final e, com ele, chegam ao final também 20 anos do governo da Frente Popular do Acre liderada pelo Partido dos Trabalhadores. Ao longo destes 20 anos, dois “modelos” de desenvolvimento foram postos em prática.

O primeiro “modelo” foi denominado de “Florestania” e posto em prática nos governos de Jorge Viana (1999 a 2006) e Arnóbio Marques (2007 a 2010). O segundo “modelo” aqui denominado foi de “pseudo-industrialização”, implementado pelo governo de Tião Viana (2011 a 2018).

Muito embora os três governadores pertençam ao mesmo grupo político, a política de desenvolvimento econômico implementada apresentou substancial diferença. Em alguns indicadores socioeconômicos é visível a evolução do Acre. Contudo, em outros, a situação do Estado é preocupante e enseja uma nova matriz de desenvolvimento.

Após 20 anos do governo da Frente Popular, o governo Gladson Camelli assume o Estado com a proposta de desenvolver a economia através do incentivo e desenvolvimento do agronegócio. Em termos de agronegócio, o Brasil é uma potência mundial e alguns estados brasileiros apresentam alto nível de desenvolvimento e crescimento econômico alicerçado em atividades do agronegócio, altamente, competitivas no mercado internacional. Ou seja: apresentam elevada produtividade, qualidade em seu produto e um empresário rural altamente capacitado.

Neste sentido, Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento do agronegócio no Acre devem estar umbilicalmente ligados. A política de Ciência e Tecnologia do governo Gladson deve criar as condições necessárias para aumentarmos a produtividade e qualidade dos produtos da agropecuária acriana.

Mas apenas isto é garantia de desenvolvimento do agronegócio no Acre?

– Não, não é!

A política de Ciência e Tecnologia deve conduzir o agronegócio à inserção em novos mercados e mercados diferenciados. É muito difícil sermos competitivos em nível nacional e internacional. Contudo, a natureza foi generosa com Acre. Ou seja: é possível, através da condução de uma política de Ciência e Tecnologia, criarmos as condições necessárias para o desenvolvimento de atividades do agronegócio de altíssima rentabilidade.

Observe, caro leitor, que ao irmos aos supermercados locais é possível vermos um conjunto de produtos que poderia ter sido desenvolvido no Acre. Mas não foram! Como explicar que os supermercados vendem tapioca produzida no Paraná? Ou iogurte de açaí produzido em Minas Gerais? Ou suco de graviola produzido em São Paulo?
Eis aí uma grande oportunidade para o desenvolvimento do agronegócio acriano. Devemos produzir conhecimento que nos permita entrar em mercados que não exijam escala de produção planetária e sim incorporação de inovação que nos permitam sermos diferentes em qualidade, incorporação de serviços ambientais, redução das desigualdades intra-regional e inter-regional. É preciso vender mais que um produto. É preciso vender um conceito de desenvolvimento.

Como forma de exemplificar, destaco os biscoitos de Cruzeiro do Sul. Este produto precisa incorporar um conjunto de inovações para que seja possível alcançar mercados extra Acre.

Uma política forte e eficaz de Ciência e Tecnologia que estimule o agronegócio é condição necessária para o desenvolvimento do agronegócio no Acre. É preciso conquistar novos mercados. É preciso ousar para se desenvolver e, além disso, cabe ao Estado promover o ambiente institucional necessário para o desenvolvimento do agronegócio.

E nunca devemos esquecer que somente variáveis reais impactam. E Ciência e Tecnologia são variáveis reais. O PIB também é uma variável real.

* Rubicleis Gomes da Silva é Doutor em Economia com pós-doutorados na UFJF e EESP/FGV

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