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Corte orçamentário pode influenciar nas pesquisas

Ministério da Educação teve R$ 4,3 bilhões bloqueados

Após corte orçamentário promovido pelo Governo Federal, Universidades de todo o país começam a enfrentar dificuldades para manterem diversos serviços, entre eles, o incentivo às pesquisas e obras de ampliação.

Somente este ano, o Ministério da Educação teve R$ 4,3 bilhões em despesas bloqueadas, sendo R$ 3,6 bilhões em despesas diretas da pasta. Com isso, o orçamento da pasta para 2017, que havia sido definido pelo Congresso em R$ 35,74 bilhões, foi reduzido para R$ 31,43 bilhões.

Na Universidade Federal do Acre, a situação não é diferente. Embora a atual reitoria mantenha as obras que haviam sido planejadas em pleno funcionamento, o pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, admite que pode haver atrasos.

“Nós estamos conseguindo, até o momento, administrar, com dificuldades, mas estamos conseguindo. Todas as obras que hoje foram autorizadas, são aquelas que têm condições de serem concluídas. A gente só não pode avançar mais, como gostaríamos”.

Para quem acha que o problema é recente, engana-se. De acordo com Hid, desde o último trimestre de 2014, a direção da Ufac administra as contas com restrições orçamentárias. Naquele período, o corte foi de 10% dos recursos de custeio (despesas com o funcionamento da instituição, como gastos com luz, água, manutenção e serviços terceirizados) e até 50% dos recursos de capital (que são as despesas com as obras de expansão e reestruturação dos prédios).

Em 2017, a restrição de custeio subiu para 15%. Sendo assim, de 2016 para 2017, a Ufac perdeu R$ 10 milhões. “Caso a restrição continue, serão mais 13 milhões de reais perdidos, ou seja, menos 23 milhões de reais em investimento para a nossa universidade”, explicou Hid.

O orçamento da Ufac deste ano foi de R$ 319 milhões. Deste volume de recursos, 80% são destinados à folha de pagamento de servidores, restando apenas 20% para custeio e Capital.

Pesquisas

Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da Ufac, Josimar Batista Ferreira, o corte orçamentário ainda não afetou os bolsistas, mas eles já começaram a fazer contenções de gastos para não sofrerem futuramente.

“A notícia boa é que as bolsas Pibic permanecem, as bolsas de mestrado e doutorado, todas permanecem, não há indicativo de cortes. Nós contingenciamos algumas ações. O pró-equipamento é uma ação do governo que não está sendo implementada e a gente está fortalecendo com recursos próprios”, afirmou Josimar.

O professor pesquisador, Frederico Costa, acredita que embora, ainda, as pesquisas no Estado não tenham sido afetadas, elas podem sofrer com o corte de orçamento. “Na verdade todo corte que é feito, como vem do Governo Federal a verba, atinge todas as esferas, seja a esfera da iniciação cientifica, que é na graduação, ou na pós-graduação, mestrado e doutorado. O corte afeta independentemente da instituição”.

“No meu caso específico, desse laboratório de clonagem e conservação de plantas, eu ainda não senti tanto, porque tem ainda algum restinho de dinheiro vigente. Mas, pensando que todo ano a gente tem que submeter projeto, aí a gente está tendo um prejuízo, porque vai chegar o momento que nós vamos sentir falta daquela fatia maior do recurso que possibilitaria enviar uma proposta para o CNPQ, pra Caps, e também é possível que nos falte dinheiro, principalmente para manutenção de equipamentos,” finalizou Costa.

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