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Denasus detalha o caos na gestão dos Dseis no Acre

Manutenção de equipamentos paga com gasolina

No dia 20 de julho do ano passado, uma operação da Polícia Federal afastou do cargo dois diretores do Distrito Sanitário Indígena do Rio Purus e a diretora da Casa do Índio com sedes em Rio Branco. O trio era acusado de desvios de recursos dos repasses para atendimento médico nas aldeias, principalmente em contratos de licitação.

As mesmas fraudes do Dsei Purus podem estar ocorrendo no Distrito Sanitário Indígena que fica na região do Juruá. Onde o Dsei gastou, entre 2015 e 2016, R$ 15 milhões com a saúde indígena.

Só que para os gastos com alimentação, medicamentos e locação de imóveis, carros e barcos existe um verdadeiro descontrole com a documentação. O que pode gerar dúvidas se realmente houve aplicação dos recursos com o atendimento médico às aldeias.

Os auditores do Denasus descobriram que imóveis foram locados sem licitação, assim como a compra de materiais de consumo e serviços.

Em 29 de junho de 2016, houve a abertura de um processo de licitação para medicamentos, mas as atas estão sem numeração e sem data. Assim como fornecimento de alimentação para a Casa do Índio, onde ficam as pessoas internadas.

O mais grave é que sãos os mesmos problemas do Dsei Purus que originam os afastamentos dos diretores. Um exemplo são os pagamentos com locação de transporte aéreo para atendimento de urgência nas aldeias. foram gastos entre janeiro de 2015 e setembro de 2016 quase R$ 4,5 milhões na locação de aeronaves. O Dsei não anexou os laudos e encaminhamentos médicos e deixou de informar o por quê da viagem.

Foram encontrados em Marechal Thaumaturgo motores de barco e botes amontoados aguardando conserto. Enquanto isso, o Dsei aluga barcos.

O Distrito do Juruá é responsável pelo atendimento de 14 mil indígenas de 16 etnias, distribuídas entre 117 aldeias e abrange desde Mâncio Lima a Tarauacá.

Os índios mais prejudicados são os Ashaninkas que chegaram a apresentar denúncias contra o atendimento médico. No relatório do Denaus, os índios reclamam que passam de até dois meses sem receber a visita das equipes médicas que devem trazer enfermeiro, médico e pessoal de apoio.

Informação que foi confirmada pela liderança do povo Ashaninka, Francisco Piyãko, em recente declaração feita à TV Aldeia e ao site AGazeta.Net.

De acordo com o Denasus, em 2015 o polo gastou 19 mil litros de combustível para veículos e barcos… mas o consumo que ficou registrado foi de apenas 9 mil litros. A gasolina virou uma moeda onde os Dsei compravam material de escritório, pagavam consertos de equipamentos com combustível e sabe-la quanto foi desviado para gastos particulares.

O relatório mostra que, em algumas aldeias, as equipes de atendimento estavam sem a presença do médico e isso ajuda a agravar ainda mais o quadro da doença dos pacientes.

O relatório do Denasus pede que a direção do Dsei adote medidas de controle do que é comprado e dos serviços, principalmente com transporte aéreo. Com essas informações, o Ministério Público Federal pode pedir a abertura de um inquérito polícia para saber se no Juruá também o Dsei não conseguia fechar as contas.

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