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Dissimulação em nota oficial não esconde tensão

Resta saber as consequências das feridas abertas

A Nota Oficial do Governo do Acre e da Diocese de Rio Branco, divulgada no final da manhã desta sexta-feira (20), finalizou a crise entre as instituições. O texto dissimula o incômodo causado pela decisão do Conselho Presbiterano há dois dias.

A nota em si não diz muito. Tem o efeito simbólico de selar uma trégua. Resta saber quais são as consequências futuras das feridas abertas pelo comunicado assinado pelo Conselho Presbiterano, composto por 10 padres, presidido pelo bispo Dom Joaquin Pertiñez.

Aliás, a nota é assinada, não por acaso, apenas por assessores. Os dois líderes do centro da contenda, Pertiñez e o governador Tião Viana se preservaram, apesar do clima tenso na reunião do fim de ontem à tarde (19) no Gabinete Civil. Cada um com as suas razões.

Simbolicamente, o episódio marcou o fim da passagem de Dom Joaquin Pertiñez pelo Acre. Faça o bispo o que fizer, a partir de agora, a Igreja Católica volta a ficar órfã de um líder. De fato, para uma parte dos acrianos, a Igreja Milenar no Acre está sem pastor desde novembro de 1998, quando Dom Moacyr Grechi subiu de degrau na corte católica e passou a ser arcebispo de Porto Velho, encerrando um ciclo iniciado em 1972. Era o Acre das CEB’s, dos Empates e das bênçãos obrigatórias pedidas às mães assim que a Ave, Maria começava a ser rezada nas raras televisões da cidade.

Esse Acre é estranho a Joaquin Pertiñez. Só um estranho ao povo daqui seria capaz de ordenar, em um comunicado oficial, que se suspendesse o atendimento a pacientes cardíacos por problemas financeiros e administrativos.

E mais: só um estranho teria a desfaçatez de dizer que, caso alguém viesse a morrer, que apontassem o dedo acusatório para Governo, Fulano ou Beltrano; só um estranho lavaria as mãos em águas tão rasas. A esse “estranhamento”, uma ladainha: “… Prova de Amor maior não há/ Que doar a Vida pelo Irmão…”

Pertiñez é uma pessoa de bem. É um homem de uma Igreja habituada às ladainhas; de colocar esperanças entre uma conta e outra do rosário. Sem costume de conviver com os tempos e as contradições da Política, perdeu-se na liturgia do cargo: errou de tom. Não soube forçar e teimar no diálogo tendo diante de si portas que sempre lhe estiveram abertas.

Coincidentemente, levando o tempo como critério, a trajetória de Pertiñez na Diocese de Rio Branco é o tempo da FPA no Governo do Acre. Mas, o espanhol sempre preferiu o distanciamento estratégico do grupo político perante o público. Mas, nos bastidores, se viu, com a recente crise deflagrada, quais eram as cifras e o tom envolvido.

O comunicado assinado pelo Conselho Presbiterano, liderado por Pertiñez, expôs quanto do Acre lhe falta na alma. Uma ausência muito sentida. É claro que o que a crise expôs também foram os problemas na gestão da saúde pública do Acre. Isto é parte de outro drama. Também de ausência muito sentida. No Acre atual, tanto o corpo quanto a alma têm estado desgraçados.

NOTA OFICIAL

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e a Diocese de Rio Branco têm a boa notícia a compartilhar com a sociedade acreana de que o impasse administrativo e técnico surgido entre o Hospital Santa Juliana e o Sistema Único de Saúde, por meio da Sesacre, foi tratado em diálogo amplo, minucioso, no qual as partes puderam se manifestar, expor suas preocupações, dificuldades e necessidades. Portanto, o mais elevado esclarecimento de boa-fé compartilhada e compreensão possibilitou que o impasse fosse superado e encontrada uma nova agenda, um novo caminho de relacionamento entre a Sesacre e a unidade hospitalar.

O governo do Estado, por sua parte, externou e reafirmou a mais elevada consideração com a vida cristã no Acre, o respeito e a consideração com a Diocese de Rio Branco, o papel dela na história do Acre e o seu compromisso com os mais elevados valores éticos, humanos e sociais.

A Diocese de Rio Branco também externou o mais elevado respeito e consideração pelo relacionamento que recebe do governo do Estado e as responsabilidades sociais como o governo pratica o exercício das políticas públicas.

Portanto, foi constituída uma nova agenda de relacionamento sobre o hospital entre Diocese, Secretaria de Saúde e Casa Civil. Esta é a boa notícia que compartilhamos com a sociedade do Acre.

Gemil Salim Junior

Secretário de Estado de Saúde

Márcia Regina Pereira

Chefe da Casa Civil

Padre Jairo Coelho

Ecônomo da Diocese de Rio Branco

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