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Governo quer ajuda de bancos públicos para pecuária

Proposta tem foco no banco do Brasil e Basa

Governo convoca setor pecuário para discutir saídas à crise da carne após denúncias da Polícia Federal, que deixaram o consumidor desconfiado. Na reunião, estiveram presentes empresários, pecuaristas e representantes de frigoríficos, que falaram sobre a repercussão das investigações na economia local. A proposta do Governo do Acre é pleitear aporte de capital junto a bancos públicos (Banco do Brasil e Banco da Amazônia) para que o setor pecuário consiga “enfrentar esse momento”, de acordo com expressão usada pelo governador Tião Viana, que liderou encontro.

A reunião com o setor produtivo e empresários ligados a pecuária no estado aconteceu no auditório da Secretaria de Fazenda. Em pauta, a repercussão negativa da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que colocou em cheque a confiança do consumidor junto as maiores empresas distribuidoras de alimentos do país.

“Por causa de pessoas irresponsáveis, acabou com o segmento, o setor de agronegócios em geral, tanto pecuarista quanto agricultor. Foram pessoas que acabaram com essa classe, não fomos nós produtores que trabalhamos sol a sol, que prejudicamos esse segmento, foram pessoas inescrupulosas que sem pensar, sem raciocinar colocaram o Brasil e todos os produtores rurais nessa situação”, comentou o pecuarista Beto Moreto.

O relato do empresário e pecuarista mostra o sentimento do produtor do estado que está extremamente preocupado com as consequências que virão.

Representantes de frigoríficos também participaram da reunião. Um deles explicou que a empresa que abatia 700 bois por dia, agora só abate 60% desse número. Para a semana que vem, a meta é reduzir ainda mais, caindo para 50%.

O frigorífico é responsável pela geração de mais de 300 empregos diretos e 1000 indiretos, mas por enquanto afirma que não vai demitir.

Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, o impacto na atividade é inevitável. Pode representar queda no preço da arroba, alongamento na escala de abate e que da no consumo.

“Vamos ver as ideias que surgem daqui, é claro que o governo não pode interferir nas consequencias que vão surgir para o mercado. Teremos problemas pra vender carne, já que 70% vai para outros estados, então há muito o que fazer nesse sentido. Mas um apoio político defendendo o setor, defendendo esse segmento tão importante para o estado do Acre, é fundamental”, disse Veronez.

Redução de tributos e apoio publicitário para reafirmar a qualidade sanitária do que é produzido na região foram algumas das sugestões apontadas durante a reunião. Os pecuaristas acreditam que é preciso ganhar novamente a confiança do consumidor, que foi abalada pela divulgação das investigações da Polícia Federal.

“Vamos ter que aguardar a movimentação do mercado internacional, por que essas empresas estão dentro dos mercados internacionais pra junto com os produtores estabelecer nossas estratégias. Primeiro é estender a mão amiga do governo, dizendo que o governo está acompanhando esse processo e vai estar junto até o desenrolar dessas ações”, comentou o secretário de agricultura e pecuária, José Reis.

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