210717-politica-sabamanchineri-tvgazeta

Lideranças já denunciam desvios há 4 anos

Sabá: política não é dialogada com as comunidades

Fotografias de denúncias apresentadas há quatro anos mostram que se os órgãos de fiscalização tivessem atuado, seria possível reduzir ou impedir o desvio de recursos da saúde indígena.

O fato veio à tona nessa quinta-feira (20) com a operação da Polícia Federal Abaçaí que apreendeu documentos e afastou do cargo o diretor do Distrito Sanitário Indígena do Alto do Rio Purus, Sérgio Ricardo Alves de Oliveira, e outro funcionário Gilson Araújo da Silva.

Eles estão proibidos de entrar na sede do órgão, assim como a diretora da Casa do Índio Elydina de Castro Gomes. Outros 15 pessoas estão sendo investigadas por desvio de recursos em contatos com uma lavanderia, alimentação e transporte aéreo.
As viagens de avião para levar índios doentes aumentaram 50%, mas o número de indígenas atendidos permanece o mesmo de anos anteriores.

Segundo Sabá Manchiney, que mostrou essas denúncias em 2013, esses desvios estavam claros quando se notava índios doentes sendo carregados em redes, porque não havia combustível para buscá-los nas aldeias.

“Sempre que se queria um carro para o transporte, esses veículos estavam danificados ou com pane seca [sem combustível]. O dinheiro estava sendo levado para outro local”, reclamou.

Sabá tem um acervo de fotos que mostra a precária estrutura para o atendimento á saúde indígena no Acre. Nelas aparecem veículos do distrito sanitário do alto Rio Purus, sem rodas ou a porta segura com um pedaço de corda.

Nas aldeias o atendimento era feito em cima da madeira da casa da paciente. Na casa do índio em Rio Branco, onde ficam internados os casos mais graves, a cadeira de rodas para se locomover e a mesma usada no banheiro.

O único alimento do dia era pão. Uma receita da nutricionista da Casai, informa que falta o alimento necessário para o índio transplantado, para não morrer de fome o indígena pede para comprar os produtos.

Outro índio paga pelos exames mais de R$ 300. “Só agora, com a operação da policia federal, onde mostrou que R$ 9,5 milhões foram desviados da saúde indígena é que vai se avaliar o prejuízo para os índios que não conseguiram o atendimento adequado e tiveram a doença agravada ou morreram. Até a tuberculose, que estava controlada nas aldeias, voltou a fazer vitimas”, denunciou.

Segundo Saba Manchineri, o grande número de indígenas na cidade mostra que a saúde não funciona. As famílias vão de barco em busca de atendimento, como demora a conseguir a consulta e exame, ficam vários dias nas ruas da cidade, não se alimentam direito e fica difícil resistir ás doenças.

“Os funcionários do distrito sanitário pagos para esse serviço estavam era desviando os recursos, pagando contratos superfaturados ou por serviços que não existiram”, relatou.

As 18 pessoas estão sendo investigadas por desvios de recursos da saúde indígena. A maioria é formada por funcionários do Disei Alto Purus e empresários.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*