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MP vai investigar prefeito de Porto Acre

Carlinhos: “Se desviei um milhão devolverei quatro”

O Ministério Público Estadual recebeu uma série de denúncias contra o prefeito de Porto Acre, Carlos Portela (mais conhecido como “Carlinhos da Saúde”), e instaurou procedimento investigatório para apurar cada uma das acusações que vão desde desvio de combustível a salários atrasados dos servidores.

A chegada a Porto Acre espanta. O mato e o lixo viraram marcas registradas do município que fica a 60 quilômetros de Rio Branco. A cidade histórica do Acre não tem uma quadra de esportes em que o mato não tenha tomado de conta. Uma delas fica em frente a uma escola.

A mesma escola está com o lixo sem recolher há vários dias. Aliás, nem em frente à prefeitura o lixo foi recolhido. Um panfleto foi distribuído no município acusando o prefeito de diversas falcatruas.

O papel indica que Carlinhos da Saúde gastou R$ 150 mil em um carro volante, enquanto os salários dos servidores estão atrasados há 4 meses.

Existem ainda desvios de combustíveis repassados pelo Incra e a consignação, que é descontada dos salários dos servidores, não está sendo repassada ao banco.

A dona de casa Idália Pereira mostrou para nossa equipe que a praça em frente a casa dele está no escuro e a obra do bueiro não foi concluída. “Esse mato roçado na pracinha não foi a prefeitura e sim o meu vizinho, que, com medo de cobras, decidiu baixar o mato”, relatou.

Encontramos quatro ônibus escolares parados por causa de problemas mecânicos. No pátio da secretaria de obras, existem outros caminhões com pouco mais de dois anos de uso jogados como se fossem ferro velho.

A rodoviária de Porto Acre está destruída e abandonada. O porto está sendo usado pelos ribeirinhos enquanto não chegam as chuvas. Apesar dos pedidos, a prefeitura não melhorou as condições do local. No porto da catraia, o abrigo para proteger os ribeirinhos foi destruído.

Falta dinheiro

O prefeito “Carlinhos da Saúde” alega falta de recursos para todos os problemas. Disse que já recebeu o município repleto de dívidas e não está sendo fácil a recuperação financeira.

Os caminhões danificados, segundo Carlinhos, são herança do ex-prefeito José Maria. Inclusive, ele fez a denúncia ao Ministério Público. “De todas as acusações, assumo duas: os salários atrasados dos terceirizados e a falta de repasse das consignações para os bancos. Mas, chamo a atenção de todos para um detalhe: se eu desviei um milhão devolverei quatro. Falo isso porque estou consciente do meu trabalho e honestidade”, admitiu o prefeito.

As denúncias contra o prefeito começaram em forma de panfletos distribuídos na cidade. No entanto, foram parar no Ministério Público.

O promotor da coordenadoria do patrimônio público, Adenilsom de Souza, já separou os problemas por assunto e abriu um procedimento investigatório para apurar cada caso. Como são muitas as acusações, a investigação vai levar um determinado tempo. “Todos os casos serão apurados para saber até onde são verdadeiras as denúncias”, disse.

Porto Acre sempre foi um celeiro de denúncias contra os gestores. Ao todo existem 15 processos no MPE que vão desde improbidade administrativa à doação ilegal de bens públicos.

São denuncias que alcançam os ex-prefeitos que passaram na gestão pública nos últimos 10 anos. Talvez isso explique o atraso da cidade, palco dos principais conflitos que terminaram anexando o Acre ao Brasil. Nem o peso da história parece ajudar Porto Acre.

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