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No Acre, candidaturas federais são milionárias

Debate sobre gastos com campanhas eleitorais resurge

Os dados apresentados pelos candidatos a deputado federal no Acre, na página do Tribunal Regional Eleitoral, chamam atenção pelas cifras formais apresentadas.

Os gastos em propaganda chegam a ser próximos com os recursos que serão aplicados por candidatos ao mesmo cargo no estado de São Paulo. Tem candidato no Acre que informou como despesa de campanha R$ 5 milhões.

O que deixa a nossa mente em alerta, é quando partimos para uma outra equação:
Um deputado federal custa por ano, só em salários, R$ 347,4 mil. Em quatro anos, período do mandato, vai ter recebido R$ 1,39 milhões. Com os descontos, deve ficar na casa de R$ 1 milhão.

Nessa conta não entra a verba de gabinete e outros benefícios como auxílio moradia.
Agora, como explicar se recebe um R$ 1 milhão, como os candidatos repassam para a Justiça Eleitoral que vão gastar em propaganda, o dobro, o triplo ou 5 vezes esse dinheiro?

Dos 63 candidatos a deputado federal do Acre, 45 vão gastar mais do que receberiam em salários em Brasília. A maioria informou gastos de R$ 2 milhões na campanha. Para o cientista político, Nilson Euclides, esses números mostram como a fiscalização durante as eleições não funcionam.

Para ele, as arrecadações de campanha correm livremente: quando os candidatos vão prestar contas, muitas dessas cifras desaparecem, outras não se explica de onde vieram. Poucos candidatos colocaram valores pequenos, a maioria declarou gastos acima de R$ 1 milhão.

Se os candidatos a deputado federal do Acre forem gastar o que informaram no TER, o estado vai movimentar, só com eles, R$ 72 milhões.

Prestação de contas

Na hora de fazer a prestação de contas, que deve ser entregue em 4 de novembro, os candidatos podem alegar que receberam o dinheiro oriundo de doações de empresas ou mesmo de pessoas físicas.

Mas, fica outra indagação. Qual a origem desse dinheiro? Um empresário, por exemplo, não vai repassar recursos para campanha porque é bonzinho ou achou o candidato bonito. Na verdade, quando esses políticos se elegem e vão assumir as cadeiras estão cheios de dívidas e compromissos.

Segundo Nilson Euclides, os financiamentos de campanha tornaram as eleições um grande negócio. “Quando fazem a prestação de contas, se nota que várias empresas repassaram dinheiro, principalmente empreiteiras. E, como esse negócio é sabido de todos, os candidatos não escondem quem vão receber essas ajudas”, conclui Euclides.

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