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“O problema da FPA são uns fofoqueiros que não saem de perto do governador”

Deputado Luiz Tchê fala à Agazeta.Net sobra a decisão do partido no Acre

Quando era goleiro da associação Desportiva Humaitá, na cidade de Humaitá, Rio Grande do Sul, onde nasceu há 53 anos, o hoje deputado estadual José Luiz Schäffe, ou simplesmente Luiz Tchê, como todo acreano o conhece, tinha um sonho: vender suas habilidades debaixo das traves para o clube do seu coração, o Internacional de Porto Alegre. Acabou virando vendedor de água em Rio Branco, no Acre, poucos anos depois, para onde se mudou com a família em 1985. Antes, porém, insistiu na ideia de virar arqueiro. Chegou a ser campeão pelo Santos, de São Leopoldo, e aqui no Acre treinou no Rio Branco, no Juventus, mas suas conquistas não foram além da várzea. Cinquentão, Tchê continua sendo um sonhador e para a própria surpresa, quando acorda a realidade sempre supera o sonho. Para se ter uma ideia ele pensava ser um pequeno empresário, mas seus negócios prosperaram tanto que as empresas melhoraram a vida de toda a família; queria ser presidente da Assembleia Legislativa do Acre, acabou se tornando presidente da Unale, união nacional das assembleias legislativas; queria ser apenas reeleito deputado estadual, está há três mandatos no poder, sempre entre os mais votados. Então segura ele que o próximo sonho também é ousado: virar deputado federal pelo PDT, seu partido do coração. Vai ser batata se a vida continuar sendo generosa com ele, como foi até aqui. Só que para se tornar candidato a deputado federal teve toda uma história de composição política, de superação, de engolir sapos e de tolerar “parceiros” políticos indesejáveis. “Tem muito fofoqueiro ao redor do governador Tiçao Viana (PT)”, detona, por exemplo, quando fala sobre ressalvas para permanecer na Frente Popular, decisão que ele e seu partido tomaram após reuniões exaustivas desde a cúpula nacional até o encontro com os filiados de menor patente por aqui pelo Acre, essa semana. Pai do Tiago, do Felipe e da Manuela, e esposo da Nara Schäffe, Tchê falou à www.agazeta.net sobre o terreno pedregoso pelo qual pisou até chegar onde chegou, até decidir por sua candidatur
a a federal e, principalmente, a decisão de permanecer na frente de partidos encabeçada pelo PT e que tem na figura do governador Tião Viana (PT) sua atual maior simbologia.

Veja trechos da conversa:
 
– Deputado, quais critérios vocês do PDT utilizaram para decidir ficar na Frente Popular?
 
Luiz Tchê – Foi simples. O PDT nacional apoia a Dilma e foi o primeiro partido a declarar apoio à reeleição da presidente, que é cria do Brisola, nosso patrono. Então foi fácil isso. Conversamos com o Lupi (presidente nacional) essa semana e chegamos a essa decisão.
 
– E quais critérios o senhor acha que o governador Tião Viana (PT) utilizou para querer ficar com vocês?
 
Luiz Tchê – (risos) Ele sabe que o PDT é importante (risos).
 
– E aqui no Acre como foi a discussão sobre ir para a oposição ou ficar na Frente Popular?  
 
Luiz Tchê – Foi tranquilo. Por maioria, alguma coisa em torno 22 a 3, nossos candidatos decidiram que o melhor é ficar com a Frente Popular. Maioria transita melhor no governo que na oposição.
 
– A oposição teve chance de tê-los, portanto o senhor enxerga alguma qualidade nela?  
 
Luiz Tchê – Claro. Tem gente boa no governo, mas tem na oposição também.
 
– E para se eleger, pela oposição não seriam mais fácil?
 
Luiz Tchê – Isso não existe. Esse negócio de ser eleito mais fácil não existe. Lá ou aqui eu terei as mesmas dificuldades.
 
– O senhor já disse que o PDT é ideológico, mas na prática isso não funciona bem assim. Que vantagem o PDT ou o senhor levará para permanecer na Frente?
 
Luiz Tchê – Não tem essa, bicho (cara de chateado). As pessoas vêm maldade em tudo. Acham que a as pessoas se vendem por dinheiro. Não são assim as coisas. O PDT se identifica com a Frente Popular. Está lá desde a fundação. Então parem com isso de que partido ou fulano se vendeu pra ficar com o governo. Temos, sim, interesse de participar mais do governo e isso nós cobramos ao governador Tião Viana (PT). Por exemplo: no próximo governo nós vamos exigir que ele (Tião) ponha em prática nossa ideia de educação integral, uma coisa boa criada pelo Brisola. Vamos exigir que haja, também, o fortalecimento do empresariado local e queremos, principalmente, uma reforma administrativa, para que aconteça, finalmente, a criação da Secretaria do Trabalho.     
 
– O governo é fraco em alguns setores, como o agrícola. Que ideia o PDT tem?
 
Luiz Tchê – Tem que investir em ramais. Ramais. Ramais. Produção agrícola só acontece com linha de escoamento.  
 
– E quais outras bandeiras o PDT vai levantar?
 
Luiz Tchê – Vou continuar brigando por uma renegociação da dívida do Estado. A nação deve uma grana grande ao Acre desde a época de território. Vamos lutar para que aconteça um encontro de contas. Ah, vou ter outra bandeira boa: lutar pela revisão dos empréstimos consignados dos servidores estaduais. Eles vivem num regime escravo essa relação com os bancos.   
 
– Mesmo tendo ficado na Frente Popular, o senhor admite que vai continuar sendo visto com maus olhos por ter saído na eleição passada e por ter aderido essa semana só depois de muita conversa com o governador Tião Viana, algumas exigências?
 
Luiz Tchê – Importante é que não tenho problemas com o Tião Viana (PT). Tenho uma ferida velha que parece não querer sarar é com o PCdoB. E me chateio com alguns fofoqueiros que vivem ao redor do governador Tião. São essas pessoas que as vezes arruínam a administração do Estado, mas, no mais, não tenho problemas. Vamos caminhar juntos rumo a vitória.
 
 
Nas Américas         
 
 
Luiz Tchê (PDT) é um deputado estadual acreano importante, sobretudo, por ser combativo no parlamento, mas ele foi parar no noticiário nacional depois de virar presidente da União Nacional das Assembleias Legislativas (Unale), há cinco anos. Mês passado, Tchê se elegeu outra vez presidente da mesma agremiação. Ele é, também, vice-presidente do Parlamento das Américas. Sua candidatura a deputado federal é praticamente uma exigência da cúpula nacional do PDT e as ajudas para conquistar a vaga em Brasília podem ser facilitadas pela sua militância nos parlamentos das Américas.

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