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Paralisação unificada expõe gestão da Saúde no Acre

Sindicalistas detalham precarização dos serviços

Sindicatos ligados à Saúde se reúnem para tratar de uma possível paralisação. As entidades alegam que o movimento de resistência protesta contra algumas iniciativas do governo, como corte de verbas e terceirização de unidades públicas, por exemplo. Por outro lado, o governo adverte que pode entrar na Justiça se for necessário para evitar a greve.

Na pauta de reivindicações do que chamam de “paralisação unificada”, os sindicatos da saúde elencam uma série de entre justificativas ao movimento: retirada de direitos dos trabalhadores e terceirização de unidades de saúde. Além disso, as entidades denunciam precarização nos serviços de saúde.

“Hoje, por exemplo, começou-se a fechar postos de atendimento no Estado. No Pronto Socorro, foi fechada a sala de medicação. Nos ambulatórios, não há mais consultas, observações. Estão sendo fechados também serviços de raio-x e laboratórios de todas as unidades do interior porque o governo não está priorizando a Saúde e está investindo em outros setores que, com certeza, não são bem mais viáveis para população do que o nosso”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Acre, Adaílton Cruz.

O Sindicato dos Médicos (Sindmed) também participa do movimento e critica a terceirização das unidades públicas. Segundo edital lançado esta semana, as UPA’s e Pronto Socorro devem ser administrados por Organização Social (OS), uma entidade privada, sem fins lucrativos. O pagamento do Estado à OS será de R$ 15 milhões por mês.

“Ora, se estamos hoje numa situação onde o governo não tem dinheiro para pagar horas extras, não dá direitos aos
trabalhadores como adicional noturno, plantões de final de semana sem remuneração adequada. Tudo isso e ainda vai ter que gastar R$ 15 milhões de dinheiro do estado pra poder pagar uma organização que a gente não conhece, mas o governo tem toda estrutura, teria como fazer esse gerenciamento de todas as unidades de saúde do Estado”, comentou o presidente do Sindmed José Ribamar Costa.

Os sindicalistas alegam que a paralisação é inevitável porque o governo fechou as portas para o diálogo. A paralisação unificada ainda não tem data precisa para iniciar, mas tudo indica que deve ser a partir do período de carnaval.
Segundo o secretário adjunto de articulação institucional, Iraílton Lima, os sindicatos não procuraram o governo para discutir uma possível paralisação.

“Essa é uma novidade para o governo e nós consideramos mais uma medida extemporânea e irresponsável dos sindicatos num momento como o que o Estado e o país passam. Não faz sentido para o governo”.

De acordo com Lima, algumas medidas que visam racionalizar o recurso público da Saúde são compreendidas erroneamente pelos sindicatos como precarização do serviço. Ele afirma que estão sendo cortadas gorduras, como exemplo, plantões de pessoas que não comparecem ao posto e que os atendimentos essenciais serão mantidos. O enxugamento corresponde a 20% dos recursos para o setor, o que representa, segundo Lima, economia em torno de R$ 2 milhões.

O embate foi decretado. Para evitar uma possível greve o governo pretende entrar na Justiça. “Nós entendemos que na verdade que alguns sindicatos tem se posicionado de uma maneira irresponsável, com objetivos eleitorais, mais do que qualquer pauta sindical. Sindicatos que estão atuando como linha auxiliar da oposição numa clara partidarização da atuação de alguns movimentos”, alfinetou.

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