Polícia dá andamento a inquérito que investiga crime ambiental no aterro de inertes

Materiais elétricos de Rio Branco foram encontrados enterrados de forma irregular

A Polícia Civil informou que durante a troca de material para instalação do serviço de LED na iluminação pública de Rio Branco parte dos equipamentos elétricos retirados foram colocados em covas no aterro que fica na Estrada Transacreana. Foram encontrados 663 reatores 620 remédios e 141 lâmpadas. De acordo com o delegado, “essa quantidade é muito pequena em relação ao que foi enterrado”.

Segundo o administrador do aterro, vários caminhões chegaram carregados com materiais elétricos no local, mas como foram jogados outros entulhos sobre as covas ficou difícil encontrar todo o material elétrico, entretanto, ele afirma que o que foi retirado mostra que houve um crime de poluição tendo como principal causador a Prefeitura de Rio Branco.

“O crime segundo a lei da união, é um crime de poluição. Nós temos agora que trabalhar com relação a questão da autoria, as pessoas que foram responsáveis que determinaram por enterrar esse material, e a partir daí, comprovada a materialidade e autoria, encaminhei o relatório para que o Ministério Público analise e faça a denúncia”, afirma o delegado Judson  Alencar.

Na lista dos possíveis causadores do crime ambiental estão os ex-secretários de Zeladoria, Kellyton Carvalho, e de meio ambiente, Aberson Carvalho. Junto com os responsáveis pela empresa que fez a retirada dos equipamentos, também deve ser indiciada pelo crime de poluição a ex-prefeita de Rio Branco Socorro Nery.

Ao todo 18 pessoas já foram movidas nesse inquérito, faltando apenas a ex-prefeita Socorro Neri. Nos próximos dias ela será intimada e vai explicar porque a Prefeitura tomou a decisão de enterrar esse material, já que poderia ter levado para o aterro sanitário.

Para concluir o inquérito, o delegado está aguardando o relatório do Instituto de Médico Legal (IML). O laudo vai mostrar o dano causado ao meio ambiente pelos componentes dos reatores, relés e lâmpadas. O crime de poluição prevê detenção de 1 a 4 anos e multa, que vai de acordo com o dano causado.

Relembre o caso

Segundo a Polícia Civil, pelo menos oito cargas de materiais radioativos foram despejadas no aterro da rodovia Transacreana, para serem aterrados. O fato aconteceu no final de 2020, e os indícios apontam que foi a própria Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Zeladoria, que ordenou o despejo desses materiais no aterro.

A denúncia partiu de um servidor da Prefeitura de Rio Branco, que registrou um Boletim de Ocorrência. “Foi instaurado um inquérito policial e nós já viemos aqui tomar as primeiras providencias. Nos certificamos que de fato esse material foi enterrado, pelo menos umas oito carradas desse material. São lâmpadas, reatores, que foram enterrados aqui no lixão. Viemos hoje com um perito, com uma equipe da delegacia, os agentes, representantes da Prefeitura, o administrador do lixão para que a gente torne essas providencias. Vamos pegar o material, desenterrar e dá a destinação correta” declarou Judson Barros, delegado de Polícia Civil.

Na época dos incêndios, a Prefeitura dizia que as pessoas estavam jogando lixo doméstico no aterro, quando na verdade eles próprios eram quem contribuíam para que o local se transformasse em uma bomba, quando jogavam material elétrico, por exemplo. Foi preciso encontrar esses relés e lâmpadas, e evitar que um incêndio chegasse até esse material, porque o fogo ficaria incontrolável.

Com informações do repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta

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