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Portadores de lúpus brigam na justiça por acesso a medicação

Tratamento pode chegar a custar mais de 8 mil reais

Sem acesso aos medicamentos de tratamento de lúpus (doença crônica auto imune), pacientes do Acre apelam ao poder público e à justiça.

Evandro Souza trabalhava normalmente como pintor quando passou a sentir dores nas articulações e inchaço nos pés. Ele passou por vários exames, mas os médicos não descobriam o que ele tinha. Há dois anos, com insistência da família, ele foi diagnosticado com Lúpus, doença autoimune, ou seja, na qual o sistema imunológico reage contra células da própria pessoa causando danos que podem afetar órgãos e articulações ou somente na pele.

O pintor teve que parar de trabalhar e conseguiu afastamento pelo INSS. Mas o salário mínimo que recebe não é suficiente para custear o tratamento, que é caro. Uma caixa do principal remédio micofenolato de mofetil, um imunossupressor, custa em média R$ 1.000,00. Mas a quantidade por mês pode chegar a R$ 8.000,00, dependendo do peso do paciente.

“Não há como comprar o medicamento e a gente tá na justiça esperando uma sentença pra começar a fazer o tratamento. Eu tenho que escolher entre sustentar meus filhos e me tratar. Mesmo assim, o dinheiro não dá”, lamenta.

A assistente contábil Jamili Romano também se afastou do trabalho devido à doença. Ela entrou na justiça há 6 meses para conseguir os remédios através da rede pública, já que o SUS não disponibiliza.

“O lúpus quando não é feito o tratamento a doença pode atacar qualquer órgão do corpo e isso impossibilita a pessoa de viver normalmente. No caso, se atacar os rins, a pessoa vai ter que viver na máquina de hemodiálise. Se for no pulmão, não vai poder andar e caminhar por que vai sentir falta de ar”, exemplifica, ilustrando o que ela teme que aconteça, caso fique sem o tratamento por longo tempo.

A Associação dos pacientes de lúpus do Acre, (Aplac) tem se mobilizado para cobrar celeridade da justiça no julgamento das ações, mas segundo os membros da entidade, não tem surtido efeito. Alguns pacientes estariam há 2 anos aguardando resposta judicial. Outros há menos tempo, mas o suficiente para temer pelo que pode acontecer caso a doença avance.

Entramos em contato com a assessoria de comunicação da Sesacre, mas até o fechamento desta matéria não havíamos recebido resposta sobre o caso.

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