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Protesto dos Kaxarari faz governo retomar Luz para Todos

Obras do programa de energia retomam dia 7 de agosto

Os índios Kaxarari ocuparam a frente da subestação da Eletrobras, no distrito de Extrema, no Estado de Rondônia, já no início da manhã. O protesto ganhou força a partir do momento em que as lideranças informaram que derrubariam o “linhão” de energia elétrica se o Governo Federal não cumprisse o que prometeu. O Acre poderia ficar às escuras.

Um representante do programa Luz para Todos em Rondônia foi até onde os índios estavam concentrados. Levou um documento que renova o compromisso (ainda não cumprido) do Governo Federal de retomar o programa de eletrificação nas aldeias. E disse uma data: 7 de agosto as obras recomeçam.

O povo Kaxarari possui cerca de 600 pessoas em nove aldeias. A questão do acesso à energia elétrica é um dos pontos da agenda. A exclusão a que esse povo está submetido passar por ausências na Saúde, na Educação e Infraestrutura. A ameaça de derrubar o “linhão” não é fortuita.

Os Kaxararis sabem que, se chamassem a atenção do Acre, afetariam o Estado que tem a responsabilidade pela qualidade da saúde indígena aos povos das nove aldeias da região.

Os postos de saúde das aldeias foram construídos pelos índios. O atendimento é de responsabilidade do governo acriano. Mas, o serviço é inexistente. Se precisar de atendimento, é necessário se dirigir ao Acre.

Problemas comuns a muitos brasileiros. Mas, neste caso, há verbas específicas, que deveriam ser executadas em áreas definidas junto com os povos indígenas e fiscalizadas. Mas, não é o que ocorre.

Próximo ao Distrito de Extrema, na entrada da terra indígena Kaxarari, foi construído um prédio de dois andares que deveria reunir vários órgãos federais que trabalham com a política indigenista. O prédio é novo: foi concluído em 2012. Mas, está abandonado e se deteriorando a cada dia.

Os índios realizaram orações e cantorias no local, para aguardar as autoridades. Mas não chegaram a impedir o trânsito de veículos e pessoas. A Funai enviou um representante para tentar ajudar nas negociações.

Para saber como é situação dentro das aldeias, nossa equipe de reportagem foi até a terra indígena, que fica há aproximadamente 20 quilômetros de onde ocorreu o protesto. Há menos de três quilômetros da entrada da área demarcada, é possível ver o último poste de energia, que é utilizado nas fazendas da região.

Nas aldeias, a situação é praticamente de abandono. As escolas foram construídas pelos próprios índios. Mas, faltam outros investimentos, como livros adequados, merenda para as crianças e material de apoio. Quem tem alguma renda por aqui tira dinheiro do próprio bolso para que as aulas não parem.

Estudar é um dos passatempos das crianças. Jelisson tem nove anos e disse que ainda não sabe escrever, mas não perde uma aula, mesmo com as dificuldades.
A Educação é de responsabilidade do governo de Rondônia, que não tem cumprido o seu papel, segundo as lideranças locais. Por aqui, além de não ter energia, também não há água tratada, o que ocasiona uma série de doenças.

A Polícia Rodoviária Federal também fez a segurança no protesto. Mesmo com a promessa de energia, os índios garantem que não vão sair da subestação e caso não sejam ouvidos pelos governos de Rondônia e Acre, vão fechar a BR-364 em Extrema por tempo indeterminado, o que pode comprometer o tráfego de veículos na rodovia e a ligação por via terrestre dos dois estados.

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