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Recesso branco na Aleac causa indignação na população

Plenário vazio é pago pelo povo

Mais um dia de trabalho comprometido na Assembleia Legislativa. Por falta de quórum, não houve sessão. Preocupados em pedir votos, os deputados não vão à Aleac e ganham muitas críticas da população que questiona o recesso branco.

Sob o sol escaldante de Rio Branco, o vendedor de picolés Antônio Ferreira precisa trabalhar seis dias por semana, de 7 da manhã às 7 da noite para conseguir faturar um salário mínimo. Segundo ele, esse é o único recurso para sustentar a família. “A vida é assim, não é fácil, mas a gente precisa batalhar”, comentou.

E por falar em vida difícil, em dias suados de trabalho, hoje não houve sessão na Assembleia Legislativa porque faltou quórum. Apenas três deputados compareceram e um deles chegou fora do horário regimental para iniciar a sessão.

Os funcionários da Aleac, como sempre, marcaram presença, mas ficaram ociosos sem os trabalhos do plenário. Alguns aproveitaram para comer bolo, em comemoração ao aniversário de um colega.

O deputado Geraldo Pereira (PT), diferente dos demais, esteve na casa para trabalhar. Ele prepara o relatório da prestação de contas do último ano do governo Binho Marques e do primeiro ano do governo Tião Viana para encaminhar à Comissão de Orçamento e Finanças.

Para o parlamentar, que não é candidato nessas eleições, o recesso branco é uma prática inevitável em época de campanha. “Daqui pra frente, quanto mais próximo do dia das eleições, os parlamentares estarão em seus redutos pedindo votos porque os outros que não são parlamentares estão permanentemente em campanha pedindo votos”, comentou.

Na próxima semana, os deputados devem formalizar o recesso branco com a apresentação de um requerimento solicitando a suspensão da sessão de quinta-feira. Sendo assim, os dias de debate e aprovação de projetos serão limitados apenas para às terças e quarta-feiras.

Para os deputados, o recesso branco é legal, mas, para a população, ele é imoral. Nas ruas, a opinião é unânime quanto à postura indecorosa dos parlamentares faltosos. As críticas se acentuam quando o povo compara a vida do trabalhador brasileiro com a vida do político brasileiro.

“Se fosse um funcionário público ou de empresa privada era falta na certa, mas eles, com certeza, não têm falta, nem desconto e recebem um absurdo de remuneração”, comenta a estudante Raquel Santos.

“A gente começa a trabalhar as 7 e não tem hora pra largar e eles ganham um absurdo e trabalham esse pouco tempo”, completa o carpinterio Manuel de Lima.

Para moralizar, a estudante Raquel acredita que o afastamento dos parlamentares em época de eleição seria a melhor alternativa. “Era pra eles se afastar da Assembleia e fazer esse movimento fora da repartição pública”, opina.

A política brasileira, para o vendedor Antônio Barbosa, se distancia cada vez mais da realidade do o povo brasileiro. “Isso é muito velho no país. O governador trabalha quatro anos e no final do mandato se aposenta. O trabalhador comum trabalha a vida toda, até 60, 65 anos pra se aposentar. Isso é normal na política. A bola está com eles e acabou”, desabafa.

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