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Responsáveis por apologia a tortura não se identificam

Coronel Ustra comandou Doi Codi no regime militar

Cartaz saudando coronel do Exército que comandou um centro de torturas no período do regime militar é alvo de denúncias no Ministério Público. Estudantes da Ufac acusam grupo responsável pela publicidade de fazer apologia à tortura e prometem investigar e descobrir quem pagou pelo outdoor e representar até contra a empresa de publicidade.

A propaganda foi afixada na Avenida Ceará, a mais movimentada de Rio Branco. Assinada por um grupo que se intitula “direita Acre”, traz uma junção de frases do Coronel Brilhante Ustra morto em 2015.

Entre os anos de 1970 a 74, ele comandou o Doi Codi, o principal centro de repressão do Exército durante ditadura militar. O Coronel Ustra foi acusado pelo desaparecimento e morte de ao menos 60 pessoas. Outras centenas foram torturadas.

No outdoor, a frase: “lutamos contra terroristas como a Dilma para salvar o Brasil do comunismo. Apenas cumpri minha missão”. A saudação foi o incentivo para que um grupo de estudantes da Ufac procurasse o MPE.

O presidente da União da Juventude Socialista, Zé Luiz, e o vice-presidente da UNE na região Norte, Jeffrey Caetano, estavam com outros estudantes na hora de apresentar a denúncia e pediram investigação para saber quem pagou pelo outdoor.

“A homenagem é uma provocação a quem lutou pela democracia e liberdade no país, vivemos um período conturbado da nossa politica e as pessoas passam a creditar em discursos de ódio como solução dos problemas”, reclamou.

O coronel Ustra voltou ao noticiário quando o deputado federal Jair Bolsonaro, em abril do ano passado, na votação do impeachment de Dilma Rousseff, saudou o militar na hora do voto. O mesmo grupo que hoje defende o nome de Bolsonaro para presidência da República pode ter colocado o cartaz.

O estudante Jeffrey Caetano informou que nenhum politico local assumiu ter colocado o outdoor, mas uma investigação por parte do Ministério Público vai descobrir. “Basta começar pela empresa contratada para colocar a propaganda, a mesma empresa está desrespeitando uma lei municipal que exige que ela informe seu nome e endereço no local da publicidade”, exigiu.

O grupo de estudantes voltará a se reunir com o Ministério Público para ajudar na investigação e preparar manifestações em repúdio ao ato do grupo Direita Acre que, por enquanto, não tem têm cara.

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