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Sínodo da Amazônia já começou, avisou Papa Francisco

Papa se inclina para receber benção de indígena peruana

Papa João Paulo II sabia, como poucos, o efeito de uma imagem. Tinha o ritual de beijar o solo de um país visitado assim que descia das escadas do avião. Era uma imagem forte. Sempre. Estava em edições de vídeos do telejornal mais modesto até os programas das grandes redes. Papa Francisco não beija o solo, mas sabe, ao seu modo, usar os gestos e as palavras para fazer política.

Antes de partir para as agendas no Chile e no Peru, anunciou que o Sínodo da Amazônia 2019 já começou. E veio conversar com índios e homens de poder em dois países que a Europa, sobretudo Espanha e Inglaterra, tem uma dívida eterna.

A inclinação do Sumo Pontífice para receber uma benção de uma representante indígena é de um simbolismo incomum. É gesto de um líder. A agenda no Chile e no Peru é um claro recado para o próprio Vaticano: ele pauta o conselho de bispos.
A força dos depoimentos e dos símbolos apresentados tanto no Chile quanto no Peru forçam os bispos/Igreja a tomarem uma posição mais focada naquilo que mais interessa ao povo e menos à diplomacia.

Quando o Papa vaticina “chegou a hora de vocês falarem por vocês mesmos” é uma clara posição política, difícil para muitos governos ouvirem. A expectativa fica em relação aos ouvidos do próprio Vaticano e em como ele irá interpretar a fala de um Papa que fala junto com o povo.

 

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