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Suicídio é tema de debate entre jornalistas e procuradores

Capital está entre as com maior número de casos

O Ministério Público do Estado promoveu uma roda de conversa com jornalistas para debater o problema do suicídio. Durante o encontro, foi apresentado o índice de tentativas de suicídio na Capital e o dado é preocupante.

Somente no primeiro semestre deste ano, o Pronto Socorro de Rio Branco registrou 103 tentativas de suicídio. O número é 32% maior que o registrado no ano passado, quando foram contabilizadas 78 tentativas.

A estatística é alarmante, segundo a psicóloga responsável pelo núcleo de prevenção ao suicídio, instalado na unidade de saúde, Andréia Vilas Boas. “Nós temos dados do IML, que não são completos, porque é difícil identificar um suicídio. As entradas de tentativa de suicídio são registradas como acidentais. Se essas causas forem no atestado de óbito não vai pro IML. Para lá vão mortes consideradas violentas. Então, os dados que temos não são reais ainda”, afirma.

Ou seja, o índice, na Capital, de pessoas que tentaram suicídio é muito maior. A taxa nacional é de até seis mortes por suicídio para 100 mil habitantes. Em Rio Branco, a taxa é o dobro disso.

Em uma roda de conversa com jornalistas, o Ministério Público do Estado fez uma convocação para que o tema seja trabalhado com responsabilidade. “A ideia é sensibilizar os profissionais com relação ao tratamento que se dá para essa informação e também que a gente possa procurar divulgar no sentido de prevenir o suicídio”, salientou a procuradora do MP, Patrícia Rego.

A preocupação com a divulgação de notícias a respeito do tema “suicídio” está baseada em pesquisas. Se for enfatizado o método, a forma como as pessoas tiram a vida, está comprovado que isso impulsiona quem já tem predisposição a fazer o mesmo.

“Havia um pacto de silêncio na mídia em relação ao suicídio, até como um cuidado de não noticiar esses casos pelo medo de que houvesse contágio, que desencadeasse outros suicídios. O que pode acontecer se a notícia for muito sensacionalista, muito chamativa”, enfatiza a psicóloga.

Encarado como um problema de saúde pública, o fenômeno ainda não pode ser explicado.

“A família, os amigos, sempre procuram encontrar uma resposta, mas não existe. Para cada pessoa é preciso conhecer os traços de personalidade, o histórico de vida. Às vezes o que levou ao suicídio foi só uma gota d’água de uma série de questões e dificuldades que aquela pessoa já passava, então não tem uma resposta única, não é tão simples assim”, completa a psicóloga.

O núcleo de prevenção ao suicídio, como o próprio nome já diz, trabalha para evitar que o pior aconteça e quem precisa de ajuda, pode contatar o grupo, que funciona no Pronto Socorro da Capital. Ele conta com equipe multiprofissional, disposta a ajudar.

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