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Telefonema de Aécio não sara feridas em ninho tucano

Problema deve ser resolvido, mas efeitos serão traumáticos

O PSDB do Acre está voltando à normalidade. Em nota divulgada na noite de sexta-feira, o deputado federal e presidente do diretório estadual, Wherles Rocha, tenta tranquilizar os filiados informando que o senador reconduzido ao cargo Aécio Neves (PSDB/MG) teria ligado para o parlamentar acriano e negado qualquer articulação para lhe tirar da condução do partido no Acre.

“Conforme relatou o senador mineiro, este nunca apoiou qualquer tentativa de alterar a composição da executiva local e sequer autorizou a quem quer que seja a agir em nome dele, Aécio, para tomar tal atitude”, inicia a nota.

“O senador destacou estar tomando as providências no sentido de restabelecer a ordem e garantiu total apoio ao deputado Major Rocha na presidência do partido, ressaltando já estar em contato com o presidente do PSDB, o também senador Tasso Jereissati (CE), para reverter a questão”.

Entre uma linha e outra fica a sugestão de articulações (pós-decisão do ministro Fachin que reconduziu Aécio ao Senado) que mostram a valorização que o senador mineiro confere aos colegas de partido com cargos, com mandato.

Os trechos “estar tomando providências no sentido de restabelecer a ordem”; “garantiu total apoio ao deputado Major Rocha na presidência do partido” e “reverter a questão” junto ao presidente do partido, senador Tasso Jereissati, são fatais a quem, segundo Rocha, lhe quis “dar um golpe”.

O senador Aécio Neves tem mais com o que se preocupar do que com o PSDB do Acre, um partido que não lhe agrega nada, não lhe soma nada. O único efeito simbólico que o PSDB do Acre oferece à direção do partido é o caráter “nacional” da sigla, acompanhando a lógica discriminatória: “está vendo, temos diretório até no Acre”.
Para Aécio, o PSDB do Acre não poderia ser mais um motivo de preocupação. E o mineiro, nesse aspecto, deve agradecer ao colega acriano. Porque, caso o tempo queimasse o que restava de pavio na paciência do deputado Rocha, Aécio iria poder enfrentar a judicialização de um problema que podia lhe custar muito caro. E um problema (como expõe a nota) já havia chamado atenção da imprensa do Centro-Sul.

E o que fica exposto com o episódio no frágil tucanato do Acre? Primeiro: que não cabem mais no PSDB do Acre figuras como Rocha e Bittar. Será pouco provável a manutenção dos dois em ninho tucano. O que ganhariam com isso?

Segundo: o erro de Rocha na composição da direção do partido. O Major, talvez no afã de não querer consolidar a imagem de uma figura centralizadora, abriu mão de poder e concedeu espaço a (senão inimigos) rivais. Em política, um erro primário.

Terceiro problema exposto com o episódio guarda relação com a campanha de Rocha ao Senado. Vai perder tempo reconstruindo relações para chegar com algum capital que ameasse os concorrentes dentro da própria oposição. Uma oposição que, no Acre, apresenta-se ao eleitor cada vez mais desunida.

Nota à imprensa

O deputado federal Major Rocha (PSDB) recebeu na noite desta sexta-feira (30) uma ligação do senador Aécio Neves (MG) em relação ao afastamento da diretoria estadual do PSDB no Estado do Acre. Conforme relatou o senador mineiro, este nunca apoiou qualquer tentativa de alterar a composição da executiva local e sequer autorizou a quem quer que seja a agir em nome dele, Aécio, para tomar tal atitude.

O senador destacou estar tomando as providências no sentido de restabelecer a ordem e garantiu total apoio ao deputado Major Rocha na presidência do partido, ressaltando já estar em contato com o presidente do PSDB, o também senador Tasso Jereissati (CE), para reverter a questão.

Aécio revelou ter sido interpelado por um jornalista do centro-sul do país sobre o uso da senha dele, senador, para afastar a direção tucana no Acre, negando qualquer relação com o fato. O senador destacou estar vivendo nestes últimos dias uma situação grave, onde concentrou os esforços e, mesmo que isso não estivesse acontecendo, jamais iria intervir no diretório estadual como foi feito no Acre.

O deputado Major Rocha destacou não ter acreditado que o senador tivesse sido o responsável pela nefasta ação intervencionista e disse ter ficado surpreso que uma questão totalmente local estivesse sob investigação da mídia nacional.

“Mas estou com a alma lavada. Por mais que nos custe, em certos momentos, sempre acreditamos na verdade como arma dos verdadeiros homens. Ela, a verdade, às vezes é ofuscada por pessoas sem escrúpulos, mas quando a luz se faz, seu brilho é mais notado”, comentou Rocha.

O deputado destacou ainda acreditar na ética e na moral: “Minha palavra é uma só e dela não podem duvidar. Na busca pela verdade e a lisura estou pronto para lutar com todas as minhas forças. Esse é o caminho para o Acre e o país: honra acima de tudo”.

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