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Vereador comprou votos com consultas, diz denunciante

Listas sugerem venda de voto a Raílson Correia

Listas com nomes de pacientes levantam suspeitas sobre uma possível compra de votos por parte do vereador Raílson Correia do PTN, durante a campanha do ano passado que lhe rendeu uma das cadeiras da Câmara de Rio Branco.

Uma mulher que, por enquanto, não quer se identificar, diz ter provas de que o vereador negociou votos em troca de consultas e exames em hospitais e postos de saúde públicos.

Na entrevista, a denunciante informa que foi procurada pela família do vereador para ajudar na campanha. O trabalho era marcar consultas e exames nas unidades de saúde. De junho a outubro do ano passado, período de campanha, ela ficava todos os dias úteis nas filas dos hospitais para marcar os procedimentos médicos dos eleitores que procuravam Raílson.

A denunciante tem um livro com o nome, número de documento e telefone de cada pessoa que ajudou. Na primeira delas, aparecem sete pessoas marcadas para ressonância magnética. Ao lado da lista, ainda tem um santinho de campanha do vereador.

Outra lista traz informações para quem deveria ser providenciadas tomografias. Além disso, há uma relação para ultrassonografias e outros tipos de exames. “São dezenas de pessoas que não precisaram ir para a fila dos hospitais porque o então candidato Raílson Correia marcava os exames e consultas, tudo por troca do voto”, disse.

O vereador disse que a denunciante era contratada para ajudá-lo na campanha e nunca mandou marcar nenhuma consulta ou exame. “Ela tomou a decisão sozinha. No meu caso, ela vai ter que provar se é compra de votos. Por isso, vou processá-la. Tenho um trabalho social onde moro e ajudo as pessoas e isso não é comprar votos”, justificou.

Raílson falou ainda que as listas não se configuram em provas, pois não mostra a ligação dele com os pacientes. A denunciante, por outro lado, garante que se a Justiça procurar cada um dos pacientes atendidos, eles vão informar como conseguiram a vaga.

“Eu trabalhei duro para conseguir as vagas e ajudar na eleição do vereador. Depois que passou a campanha ele me abandonou. Agora, vou mostrar como ele conseguiu os votos”, relatou.

A mulher decidiu denunciar o vereador porque, segundo ela, está cansada de procurá-lo e não ser atendida. “Durante a campanha, havia a promessa de um emprego assim que ocorresse a vitória nas urnas, mas isso não aconteceu”, revelou.

Para mostrar que fala a verdade, a denunciante mostrou impressões de conversas em uma rede social onde pede para conversar com Raílson. Em uma delas, o vereador responde: “a gente precisa de uma coisa, a gente tem que saber pedir”. Depois que mulher reclama que não consegue falar com ele, responde no final para ela ter calma.

Quando soube que a denunciante entregaria os documentos para jornalistas, o irmão de Raílson Correia, o deputado estadual Raimundinho da Saúde, chegou a telefonar para ela e também ameaçou levá-la à Justiça. A conversa ao telefone foi gravada.

O deputado disse à nossa equipe que telefonou porque ficou irritado com a denúncia falsa da compra de votos. “Ela não podia fazer isso. Temos um trabalho com a comunidade. Vamos buscar a Justiça. Ela vai ter que pagar pela denúncia sem critérios”, reclamou.

Com tantas listas e a denúncia em aberto, cabe agora à Justiça Eleitoral investigar se houve ou não compra de votos.

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