“As fake news são um vírus mental”, afirma médico infectologista Thor Dantas

Em entrevista, o também professor, avalia o poder das fake news sobre a vacinação infantil

O médico infectologista e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Thor Dantas, em entrevista concedida ao jornalista Gabriel Rotta, para o programa Gazeta Alerta, fez uma avaliação sobre a questão da vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos em um cenário de fakes news constantes.

Segundo o médico infectologista, “as fake news são um vírus mental. A gente é contaminado por ideias perigosas. A nossa mente muitas vezes é extremamente suscetível a ideias fantasiosas que a gente passa a acreditar, muitas vezes sem embasamento nenhum. Isso é a base das fake news e das teorias conspiratórias. Isso tem acontecido com as vacinas. E isso tem causado muitas dúvidas, principalmente nos pais”, sobre as fake news que têm surgido sobre a vacinação de crianças.

Tendo por base estudos, dados e análises, Dantas afirmou que “o que eu posso garantir é que os estudos mostram. A gente nessa hora é verdade, eu também sou pai, eu tenho duas crianças, uma de doze anos e uma de dez anos. Mas na hora de tomar decisões importantes na vida, a gente tem que olhar para a realidade dos dados. O que que os dados nos mostram? É mais seguro andar de cinto ou andar sem cinto? É mais seguro botar na cadeirinha ou não botar na cadeirinha? É mais seguro o capacete sem capacete? É assim que a gente toma as decisões para nos proteger e assim é também com a saúde. Então o que você tem de concreto? Já foram aplicadas vacinas em crianças, só nos Estados Unidos, mais de cinco milhões de crianças nessa faixa etária de cinco a onze anos já receberam essa mesma vacina que está sendo aprovada pela Anvisa”.

“Destas cinco milhões de crianças, a gente tem oito crianças que tiveram a chamada miocardite. Que é uma inflamação que se dá no músculo do coração. Nenhuma morreu. Foram casos de miocardite leve que foram tratados com medicamentos. Nenhuma criança morreu de vacina. A gente perde 300 crianças de covid no nosso país. Então a gente está falando de um número que é absurdamente favorável às vacinas. As vacinas se mostraram seguras e eficazes. As pessoas falam muito que a criança não tem quadro grave tão frequentemente de covid. É verdade. É menos do adulto, mas é importante lembrar que a gente tem que comparar criança com criança, não criança com adulto” reafirma o médico.

“O que você acha de trezentas crianças morrendo de covid? É muito ou é pouco? Eu não quero ninguém morrendo de covid, eu quero poder salvar o maior número possível de crianças. Tem um outro dado importante, 6% das crianças do Brasil têm alguma doença grave. Crianças também estão doentes. Crianças com diabetes. Crianças com problema renal. Crianças com problemas de coração. Que tem um altíssimo risco de morrer de diversas doenças. E tem que ter o direito de serem vacinadas contra a covid-19. Eu estou absolutamente convencido. Eu sou o primeiro da fila a vacinar o meu filho de dez anos. Estou esperando ansiosamente porque eu tenho certeza que o risco dele estar não vacinado é muito maior do que qualquer risco de efeito colateral dessa vacina que até agora nenhum foi grave, todos efeitos adversos leves que medicina resolve”, concluiu Thor Dantas.

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