Um estudo recente do centro de estudos avançados em economia e CNA a Confederação da agricultura e pecuária do Brasil (Esalq) sobre a malha viária rural do Acre revelou uma situação preocupante: 99,3% dos ramais do estado estão intrafegáveis. De acordo com o levantamento, o Acre possui mais de 10 mil quilômetros de estradas vicinais, e para recuperar toda essa extensão seriam necessários cerca de R$ 152 milhões em investimentos.
Os dados apontam que menos de 1% dos ramais está em boas condições de tráfego durante todo o ano, casos como o da Transacreana, onde é possível circular mesmo no período de chuvas, são exceções. Apenas para os ramais de Rio Branco considerados de alta prioridade, por estarem diretamente ligados à produção agrícola, o custo estimado de recuperação chega a R$ 25 milhões.
O relatório também evidencia que tanto as prefeituras quanto o governo estadual destinam um volume muito baixo de recursos para a manutenção dessas vias. Por isso, o documento recomenda intervenções intensivas para garantir um padrão mínimo de trafegabilidade e evitar que comunidades rurais fiquem isoladas durante o inverno amazônico.
Em resposta aos dados, o governador Gladson Cameli afirmou que o governo já está investindo em melhorias nos ramais e na construção de novas pontes.
“Vamos dar continuidade ao nosso programa de melhorias dos ramais. É o que eu sempre digo: da zona rural para a zona urbana. Estamos construindo 41 novas pontes que vão trazer mais dignidade para a população que vive no interior do nosso estado”, declarou o governador.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo reforçam a urgência de o poder público conhecer e aplicar os custos estimados para garantir acesso e desenvolvimento no campo. Sem estradas em boas condições, o Acre enfrenta dificuldades para escoar a produção agrícola, o que amplia as desigualdades entre grandes e pequenos produtores.
A falta de trafegabilidade, segundo o relatório, isola famílias inteiras durante o período chuvoso, dificultando o transporte de alimentos, o acesso à saúde e à educação. Enquanto os investimentos não chegam de forma efetiva, milhares de acreanos seguem dependendo de estradas precárias para sobreviver.
Com informações do repórter Adailson Oliveira, para a TV Gazeta



