A Universidade Federal do Acre (Ufac), retirou nesta terça-feira, 5, placas com homenagens a políticos associados a ditadura militar por recomendação do Ministério Público Federal (MPF). Em março deste ano, foi solicitado a criação de uma comissão interna no sentido de analisar e substituir, nomes de blocos em homenagem a políticos associados a ditadura.
Ainda de acordo com MPF, na época, a maioria das homenagens foram feitas politicamente para garantir a permanência do gestor da universidade. Muitas delas, com os homenageados, ainda em vida. O conselho universitário formado por 70% de docentes, além de alunos e técnicos, levantaram 20 blocos com os nomes de agentes públicos do regime militar, e decidiram em publicação no dia 18 de agosto, pelas desomenagens.
“Destaco o quão pioneiro foi nosso Conselho Universitário encarar o desafio dessa revisão histórica e no dia 18 de agosto foi publicada a resolução vanguardista, de ter feito a revisão devida e reposto a verdade, como prenuncia as comissões da verdade no nosso país e ter encarado o desafio de desomenagear 20 edificações na nossa Instituição que serão revistas”, afirma a presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (ADufac), Letícia Mamed.
No parecer técnico do MP, as homenagens violaram normas legais, princípios éticos, históricos, direitos humanos, memórias e liberdades democráticas hoje defendidas pela Ufac.
“A associação de docentes decidiu por agendar um ato no dia 5 de setembro, mediante a mobilização interna e externa com todas as nossas instituições parceiras, nós identificamos que na manhã de hoje a administração cumpriu a retirada de boa parte das placas, tendo apenas uma delas. Então o ato promovido pela Adufac permanece agendado e faremos nosso ato político”, comenta a presidente.
Entre os 20 homenageados, estão os nomes de Geraldo Mesquita, Wanderlei Dantas, Edmundo Pinto, Guimard Santos e Félix Bistene Neto. Para cada um deles, as justificativas, Jorge Kalume, por exemplo, sitado como governador e senador biônico, homenageado em vida no dia 31 de março de 1980 em um ato comemorativo ao golpe, ocorrido nas dependências da Ufac.
No pavilhão da reitoria, uma placa chumbada na parede, foi encoberta por um cartaz, até que seja retirada fisicamente do local. Em resposta as manifestações, a reitora da Ufac, Margarida Aquino, garantiu que irá respeitar a decisão do conselho.
“Foi deliberado no nosso Conselho Universitário a retirada desses nomes que foram homenageados. Já estamos fazendo a retirada dessas placas, cumprindo a decisão do Conselho, além disso, os blocos voltaram a ser por numeração”, diz a reitora.
Após todo este processo, novas homenagens sem nomes de pessoas devem ser avaliadas, mas a reitoria já sinalizou que os blocos voltaram a ser identificados por números ou letras, como era antigamente.
Com informações do repórter Marilson Maia para a TV Gazeta.



