A Cachoeira do Abraão, localizada no Rio Acre, no município de Porto Acre, chamou atenção de professores do Colégio de Aplicação (CAp), vinculado à Universidade Federal do Acre (Ufac), e passou por uma pesquisa. Eles organizaram a expedição “Hileia”, que busca entender os aspectos da região.
“Hileia é uma expedição do século 18, que veio para descobrir sobre os povos da Amazônia e sempre a geografia da localidade. Então, a gente escolheu esse nome para homenagear a expedição”, informa o historiador Reginâmio Lima.
Lima é o idealizador da pesquisa , que conta com outros quatro especialistas. A geógrafa e professora Elizabete do Nascimento Cavalcante, faz parte do grupo e esclarece alguns pontos técnicos que facilitam o entendimento da queda d’água.
“Analisando geográfica e historicamente, a gente entende que o desnível faz parte da morfologia do rio e, em função da redução do nível de água, ele ficou exposto. Sempre existiu, mas estava coberto”, afirma Cavalcante.
A cachoeira não é algo inédito. Segundo a especialista, a última vez que ficou aparente foi há 60 anos.
Duas pessoas que morreram afogadas até então. O que explica essas mortes em um local tido como raso é a existência das chamadas “marmitas”, um termo técnico para chamar os buracos formados pela força da água, destaca Cavalcante.
“O redemoinho da água vai escavando e vai fazendo buracos dentro do canal do rio. Por conta disso, vão haver áreas que elas vão ser mais profundas. A gente mediu, tem marmitas de 15 metros, de 8 metros”, esclarece a geógrafa.
Reginelson Lima, irmão de Reginâmio, também faz parte da expedição e destaca que a pesquisa não deixa de ser um alerta às autoridades quanto a situação do Rio Acre nos últimos anos.
“Existe a possibilidade do rio desaparecer e seus leitos secarem. Não digo que por completo, mas vai ficar em situações bem escassas, casos as autoridades competentes não estejam agindo nesse sentido”, comenta Reginelson Lima.
A expedição fez apenas a primeira incursão no local, porém outras estão previstas. Dessa forma, ainda não há um prazo para uma possível publicação dos dados colhidos pelos pesquisadores.
Com informações do repórter Marcio Souza para a TV Gazeta



