O índice de violência no Acre aumentou para 32% segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) publicada na última quinta-feira (30). Além disso, a média da violência letal fora da capital do Acre chega a 40%. Com isso, dois fatores contribuem para esse aumento, como a briga por terras e a disputa entre as organizações criminosas pelo domínio do tráfico de drogas.
Entre os anos de 2018 e 2020 a violência no Acre aumentou em 10%. Ou seja, um grande aumento em um curto período de tempo. A Secretaria de Segurança (Sejusp), concorda que o tráfico de drogas está incentivando o aumento da violência, principalmente em áreas de fronteiras.
“Sabemos da existência e atuação das organizações criminosas, que estão agindo de forma transfronteiriça, e eu friso a disponibilização de recursos por meio do programa Amas, que é o acesso de recurso vindo do Governo Federal, que tem como eixo principal de atuação os crimes praticados na Amazônia.”, diz o diretor operacional da Sejusp, Marcos Frank.
A pesquisa do FBSP enfatiza a atuação das organizações criminosas e mostra que existem quatro grupos em luta pelas rotas do tráfico: PCC, CV, Ifara e Bonde dos 13. Mesmo com grupos fortes, o aparato policial é pequeno no estado para o combate das ações criminosas. Atualmente o Acre tem 80 delegados, mas trabalhando por turnos são apenas 20.
Em 1997, 43% dos homicídios aconteceram nas capitais, dez anos depois em 2007 este número caiu para 34,6%. Em 2019 o índice estava em 22,3%, porém os dados não representam a redução das mortes violentas intencionais, mas a migração da violência para o interior.
Além do Acre, a Amazônia também ganhou destaque na pesquisa devido a um crescimento de 260% dos homicídios, junto ao nordeste. Em 2020 foram mortas 8.729 pessoas na Amazônia, uma taxa de 29,6% de homicídio, acima da taxa nacional de 23%.
O Brasil teve um índice de 6% de violência nas cidades interioranas, enquanto no Acre estava com 4 pontos percentuais a mais, a média da violência letal fora da capital chega a 40%. Segundo a pesquisa, os locais com maior área desmatada estão com a taxa de homicídio em crescimento com 36 %.
Além disso, durante o governo Bolsonaro foram gastos R$584 milhões para combater a violência na Amazônia, mas não obteve resultados positivos.
Matéria produzida pelo jornalista Adailson Oliveira para TV Gazeta



