“Já tenho 61 anos. Na primeira vez que vim para cá, eu trabalhava com a área da culinária, mas eu, por ser uma pessoa nova, fiz outras coisas também. A gente não pensa muito. Na época, tinha um pessoal vindo para Rondônia e Cuiabá. E de Cuiabá, para cá. Vim parar aqui, na época do garimpo”
Marcelo di Paula Ribeiro é o escolhido para começar a narrativa sobre os 34 anos da TV Gazeta, afiliada á Rede Record no Acre, porque no dia 2 de fevereiro de 1990, ele estava presente no lançamento da emissora. Era um dos garçons da festa e assim como milhares de acreanos, passou a acompanhar a história do Estado contada através do canal 11.

“Número 1 para contar a história do Estado, em imagem. Não fica devendo nada para as outras emissoras. Ela vai estourar mais do que já está”, afirma Ribeiro.
De São Paulo, Marcelo Ribeiro chegou ao Acre em 1984. Trabalhou como garçom em vários eventos, mas segundo ele, o da TV Gazeta foi diferente. Viu no proprietário da emissora, o empresário Roberto Moura, um olhar especial, dedicado e forte ao jornalismo local.
Foi na frente do televisor, pelo canal 11, durante essas mais de três décadas que ele viu o crescimento dos quatro filhos. Foram dois casamentos e muitas mudanças na vida. Assim como a rotina do Estado, que nunca foi deixada de lado pelas lentes da TV Gazeta.
“Eu acredito que, em termos de jornalismo, aliás, no mundo todo, a emissora da Gazeta não fica devendo nada”, afirma.

Quem também estava presente no lançamento do canal 11 era o jornalista Edmilson Moraes. Roberto Moura já tinha planos para ele; seria o apresentador do telejornal Gazeta em Manchete, o primeiro produto da emissora. Atualmente, Moraes ainda trabalha no ramo da comunicação. Passou por vários veículos, mas seu orgulho foi ter sido o primeiro apresentador de um projeto que marcou para sempre o jornalismo da TV acreana.
“Quando fui convidado para participar do jornalismo da TV Gazeta era TV nova, equipamentos novos, equipe nova, sangue novo, foi mais um sonho realizado. Assim… é muito bom você participar de um projeto. E naquilo que é o seu projeto também”, relata o jornalista.
Qualquer fato marcante que você lembrar do Acre nos últimos 34 anos, está no arquivo da TV Gazeta. Nas fitas, estão histórias contadas com muita credibilidade, honestidade e seriedade. Um critério que ajudou a consolidar a emissora junto aos cidadãos acreanos.
A TV sempre foi referência em mostrar denúncias e conflitos. O surgimento do bairro Belo Jardim, por exemplo. Capatases de uma fazenda, juntamente com a polícia, derrubaram os barracos para o desespero das famílias. A matéria foi reconhecida através de Prêmio Nacional.

Desta mesma forma, nasceram as comunidades do Caladinho e Montanhês, e mais de 150 bairros de Rio Branco, que surgiram de invasões. Tudo foi contado aqui. As equipes de reportagens contaram a história da abertura e pavimentação das Rodovias, descobriram pessoas vivendo isoladas.
Nossas câmeras flagraram o mundo das drogas, da pobreza, das dificuldades para conseguir abastecer o carro, dos crimes ambientais, a morte de um governador, o julgamento dos assassinos de Chico Mendes e a vida dos municípios.
Foi no canal 11 que as pessoas acompanharam com detalhes o desmonte do Esquadrão da Morte e o maior incêndio da história do Estado, quando as chamas destruíram o prédio da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Nada da história do Acre ficou sem ser contada, na política, na saúde, na educação e na área rural.

Os acidentes aéreos que ceifaram vidas nesses 34 anos, ininterruptamente, os fatos foram revelados, contados a partir das fontes.
O jornalista Roberto Vaz também estava na festa de lançamento. Ele conta como foi montar uma equipe de jornalismo que fizesse algo diferente, com qualidade e que conquistasse o grande público. A proposta do empresário Roberto Moura era fazer o melhor e, assim, a ordem é emitida até hoje. Mesmo com a morte prematura em 2013, os filhos deram continuidade na gigante da comunicação acreana.
“Nós fomos formar a equipe. Como é que se forma? É pegando as pessoas ousadas. As pessoas que tinham o mínimo de noção para fazer as coisas e foi assim que nós trabalhamos. Fizemos um planeamento jornalístico, que virou uma extensão para técnico e fazendo assim para que uma redação factual existisse”, detalha Roberto Vaz.

Programas da TV Gazeta
O jornalismo forte gerou outros programas que não podem mais sair da grade. O Gazeta Alerta nasceu como líder de audiência e mantém até hoje. As notícias da área policial ganhar uma linguagem própria, mas sempre contada nos detalhes, com a precisão jornalística de quem quer mostrar a verdade.
O caçula do jornalismo da TV Gazeta, o programa Balanço Geral, traz no DNA puro da rede Record nas primeiras horas da manhã, revelando os fatos da noite, da madrugada e as primeiras notícias do dia. Atualmente, apresentado por Marcio Souza.
A Gazeta Entrevista também tem um capítulo na escalada jornalística da emissora. Os assuntos mais importantes viram temas de conversas frente a frente com os nossos entrevistadores, que dissecam o assunto e levaram ao público os detalhes que faltaram de uma notícia. Astério Moreira é o cabeça nas entrevistas.
Mas a TV Gazeta já foi entre entretenimento com o Programa Legal, que usava um auditório para disputas e muito alegria dos estudantes de Rio Branco. Além disso, quem não se lembra do Geração Gazeta mostrando matérias divertidas, informativas e curiosidades?
Credibilidade
Temos nos nossos arquivos várias coberturas ao vivo de carnavais ou das festas da Expoacre, a maior feira agropecuária da capital. Em 2004, a emissora começou a expansão e, hoje, os programas chegam simultaneamente em 10 municípios, 80% dos moradores do Estado.
A jornalista Eliane Sinhasique apresentou o Gazeta em Manchete e sabe o que o representar ser referência no jornalismo, e a responsabilidade que isso traz para emissora e os funcionários, que, na frente ou atrás das câmeras, precisam manter tanta credibilidade.
“A TV Gazeta foi um marco da minha vida, até porque eu fui contratada antes da TV Gazeta entrar no ar. Então, um ano antes eu estava produzindo matérias, matérias frias como a gente chamava, documentários, escolhendo muito conteúdo, para quando a TV entrasse no ar, a gente já ter um banco de dados Então, eu sou muito feliz pelo Roberto ter reconhecido, em mim, essa capacidade e de me contratar antes da TV entrar no ar. Foi fantástico, maravilhoso”, conta Sinhasique.
Em uma região onde a maior bandeira é a preservação do meio ambiente e a proteção da Amazônia, a TV Gazeta manteve a responsabilidade social, mostrando a situação dos povos indígenas, revelando os crimes ambientais, e combatendo, através de denúncias, o desmatamento, as queimadas e invasões de terra.
“A TV Gazeta tem uma responsabilidade social muito grande. O interessante é que a TV é composta por pessoas que são apaixonadas por informação, por informar, e tem esse compromisso muito grande de levar a informação. Ainda mais em época em que a fake news reina, contamos com profissionais que têm esse compromisso de levar a informação apurada, a informação com responsabilidade, com compromisso. Acho que essa é a principal marca, não só da TV Gazeta, mas de todos os profissionais que a compõem. “Então, tudo que a gente faz, toda a informação que a gente leva, é muito trabalhada antes, responsavelmente apurada, para que a gente leve ao nosso público final de uma forma ampla, clara e responsável.”, afirma a filha de Roberto Moura, Renata Moura.
Nessas mais de três décadas de existência, a TV Gazeta nunca deixou de representar e apresentar o Acre para o mundo. O compromisso continua. Todos os dias, ao ligar o televisor e apontar para o canal 11, você vai ficar sabendo dos principais fatos do Estado.
Reportagem produzida em vídeo pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta



