Já fazem cerca de 96 horas que nenhum novo indício da presença de Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça, fugitivos acreanos da Penitenciária Federal de Mossoró, é registrado. Já são oito dias de buscas desde a fuga. O clima das buscas é de tensão, tanto para a população como para as forças policiais.
Os fugitivos chegaram ao presídio Federal em setembro do ano passado, após o sistema prisional do Estado do Acre entender que eles representam perigo dentro de uma prisão comum, devido uma rebelião em julho de 2023, quando eles são suspeitos de matar cinco outros detentos em 24 horas.
Quando a fuga aconteceu, eles estavam em selas separadas, no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), com regras mais rígidas. O banho de sol acontecia dentro da própria sala. No local são 24 horas de solidão completa, a única forma de se comunicar com os advogados ou familiares acontece por meio do parlatório blindado, sem nenhuma privacidade.
A principal preocupação é que os homens tenham conseguido furar o cerco da polícia e fugido para outras regiões. Com o tempo passando e nenhuma localização concreta, as buscas esfriam e nenhuma resposta é encontrada para as principais perguntas: como um presídio de segurança máxima pode ter um esquema de monitoramento frágil? E qual o erro das buscas nas primeiras 72 horas?
O local possui 120 câmeras. Durante a fuga, 92 estavam inoperantes. Ninguém viu ou ouviu a movimentação dos presos. Eles teriam quebrado uma luminária, aberto o buraco e passado pelo espaço, alcançado a cobertura do pavilhão, descido e finalmente rompido a tela de proteção.
Nesse meio tempo, três casas teriam sido alvos de Deibson Nascimento e Rogério Mendonça. Em uma delas, não conseguiram invadir. Na terceira, fizeram uma família refém por quatro horas e roubaram roupas, comidas e celulares.
A patrulha aérea também enfrentou dificuldade por causa da vegetação fechada, impossibilitado visualizar o solo e, por causa do calor elevado, confundiu o monitoramento térmico das aeronaves.
Durante esse período, o Estado recebeu um reforço de 500 agentes de segurança a partir de uma colaboração dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. O Ministério da Justiça determinou o afastamento da direção da unidade prisional e nomeou um interventor, o policial penal federal Carlos Luis Vieira Pires.
Uma perícia ainda está sendo realizada no local para identificar como a fuga aconteceu. Além disso, uma muralha deve ser construída para reforçar a segurança na unidade.
Matéria feita em vídeo pelo repórter Ayrton Silva para a Rede Record



