Indígenas da etnia Anunikui, conhecidos como Katukina, realizaram um ato de protesto na terra indígena localizada às margens da BR-364, e detiveram diversas autoridades e funcionários envolvidos na construção do linhão de energia elétrica na região nesta quarta-feira(13) .
O Procurador da República, Luiz Melo, quatro servidores do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e integrantes do projeto, incluindo o ex-secretário de planejamento do Acre, Gilberto Siqueira, foram retidos pelos indígenas.
O líder indígena, Adriano Katukina, alega que a construção do linhão, que corta toda a terra indígena, tem causado danos ambientais significativos e exige compensação pelos impactos. Os indígenas argumentam que o trabalho está sendo realizado fora do estudo inicial e que acordos não estão sendo cumpridos, como desmatamento e danos não previstos.
“Não foi a do nosso acordo, o acordo que foi feito, estamos cumprindo e o que nós indicamos para não fazer, eles fizeram, derrubaram a Samaúma. Estão fazendo desmatamento. E a negociação não foi isso, e hoje a gente veio chamar a atenção das autoridades”, comentou o líder indígena.
Após cerca de seis horas detidos na comunidade, os representantes da empresa e o Procurador da República foram levados pelos indígenas até um local onde teria ocorrido o dano ao meio ambiente. Os indígenas justificam a ação como uma forma de fazer os envolvidos entenderem o que estão passando, e citam a falta de recursos naturais e a necessidade de chamar atenção para a situação.
“É por isso que nós fizemos isso, não pode ter esse tipo de coisa. É para eles sentirem também o que nós estamos passando aqui, para ele sentir como é que a gente vive aqui, para sentirem como é passar fome, como é sentir a sede.”, conclui.
O representante da empresa, responsável pela relação com a União, afirmou que as reivindicações dos indígenas só foram conhecidas pela empresa no dia do ocorrido. Por outro lado, o Procurador da República, que visitou a região a convite da empresa, informou que o órgão já realizou uma conversa com os indígenas e coletou depoimentos.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Glédisson Albano para a Tv Gazeta



