Os policiais civis do Acre ganharam novos aliados na luta por melhores salários e infraestrutura nas delegacias. Em uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (15), o Sindicato dos Policiais Civis do Acre (Sinpol), conseguiu reunir a direção de polícia, agentes, delegados e deputados estaduais para discutir as condições precárias em que as unidades da Polícia Civil do Acre (PCAC) se encontram.
Os sindicalistas lançaram a “Operação Padrão” e estão visitando cada unidade da Polícia Civil para avaliar a estrutura física dos prédios. As descobertas foram alarmantes, com delegacias em ruínas e até mesmo com o teto desabando, como foi o caso da unidade no bairro Cidade do Povo, em Rio Branco, onde o forro caiu em cima de uma agente.
Na Delegacia de Flagrantes (Defla), um curto-circuito destruiu os equipamentos do cartório, queimando inclusive o livro de registro da delegacia.
Além das condições precárias das delegacias, o sindicato também levou para a audiência pública a demanda por melhorias salariais. O último aumento salarial foi em 2019, e os agentes esperam que a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), pressione o governo do Estado nessa questão.
Rafael Diniz, presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), ressaltou a importância de mostrar à sociedade que não está tudo bem na Polícia Civil e que é necessário que o Poder Executivo dialogue com o sindicato para encontrar soluções para a categoria.
“É o momento derradeiro para a gente fazer uma reflexão, a gente tem a obrigação de mostrar para a sociedade que não está tudo bem na Polícia Civil e o Poder Executivo tem que atender o pedido do sindicato que é abrir diálogos para resoluções plausíveis para a categoria”, explica o presidente.
Para fortalecer a causa, o sindicato contou com a presença do presidente da Confederação Brasileira dos Policiais Civis (Cobrapol), Adriano Bandeira, que destacou a importância de investir na polícia como forma de enviar um recado negativo para as facções criminosas.
“Não só o desmotivo policial, como quem paga é a sociedade, que é o destinatário do nosso serviço. Hoje a Cobrapol instala simbolicamente a sede, que é em Brasília, aqui no Acre, dando visibilidade ao que estava acontecendo aqui no estado, com 122 mil policiais civis no Brasil, os quais representamos. Então, lamentamos e espero que a nossa presença aqui seja instrumento de abertura de diálogo resolutivo entre o governo do estado e o Sinpol Acre”, comenta.
O diretor-geral da Polícia Civil do Acre, Henrique Maciel, afirmou que o estado realiza reformas nas delegacias, com obras já concluídas em algumas regiões e ordens de serviço assinadas para outras,mas ainda alegou que o governo não tem margem no orçamento para reajustes salariais.
“Nós estamos trabalhando, por exemplo, agora com as delegacias em reforma em diversas localidades e aqui em Rio Branco. Sobre o salário, o sindicato esteve lá na Casa Civil, o secretário conversou com ele, explicou toda a situação da questão de responsabilidade fiscal. Isso é uma questão não só da Polícia Civil, eu acredito, mais de todos os servidores do Estado”, completa.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta



