Trabalhadores da educação estadual se reuniram em frente ao Palácio do Governo, em Rio Branco, para protestar contra o que consideram uma redução injusta no orçamento nesta última quarta-feira (7). Rosana Nascimento, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), explicou que a referência orçamentária para a educação estadual, que era de 10%, foi reduzida para 7% em 2021.
“Infelizmente, houve uma redução de três pontos percentuais, o que tem causado significativas perdas financeiras para nós. Em dois anos, essas perdas variam entre cinco e trinta e sete mil reais. Muitos professores têm dois contratos, o que pode resultar em perdas superiores a oitenta mil reais. Estamos há dois anos lutando, e decidimos agora iniciar uma greve para que o governo apresente uma proposta que atenda às nossas demandas. Se o governo não apresentar uma solução, estamos prontos para negociar e buscar compensações para nossa perda econômica”, afirmou Nascimento.
O impacto da redução orçamentária tem sido particularmente severo para professores próximos da aposentadoria, que enfrentam uma perda de até dois mil reais nos salários.
“É inaceitável perder mais de mil reais no nosso salário. Enquanto o secretário do governo, com seu salário elevado, não sente o impacto, para nós, com salários mais modestos, essa perda é significativa e prejudica nossa vida econômica e social. O secretário de Educação está ciente da situação econômica, e mesmo com recursos disponíveis, prefere pressionar moralmente a categoria, alegando que a greve é ilegal. No entanto, nossa greve é legal e registrada no Ministério do Trabalho, que se ofereceu para mediar o conflito. Queremos a mediação do Ministério do Trabalho, mas não abriremos mão do retorno dos 10% na nossa referência”, ressaltou a presidente do Sinteac.
O movimento grevista começou nesta quarta-feira (7), com a adesão de quase todos os municípios do estado. Nascimento afirmou que em algumas localidades, as escolas estão completamente fechadas, e a adesão à greve em Rio Branco também é significativa.
“O percentual de adesão é alto, com muitas escolas fechadas em diversos municípios. Continuaremos visitando as escolas e mantendo nossa posição. Nossa greve é justa e legal, e o governo deve apresentar uma proposta viável”, concluiu Nascimento.
Em resposta, o Governo do Acre afirmou em nota que desde fevereiro tem aberto mesas de negociação com os três sindicatos ligados à educação. O governo também destacou que os sindicatos estão cientes das limitações orçamentárias e dos impedimentos legais para qualquer reajuste. A nota ainda ressaltou que a equipe financeira do governo tem tratado a questão com transparência e comprometimento. O governo expressou preocupação com a paralisação, que pode comprometer o calendário escolar e a aprendizagem dos alunos.
Matéria produzida pela repórter Wanessa Souza para TV Gazeta.



