O Sindicato dos Policiais Civis do Acre (SINPOL-AC) realizou nesta semana uma nova etapa da chamada “operação padrão”, com fiscalização em dez delegacias da capital. O objetivo é verificar in loco as condições de trabalho dos policiais civis e a estrutura física das unidades. O resultado, segundo o sindicato, foi alarmante: a maioria das delegacias está em situação precária, com problemas estruturais, falta de manutenção, ausência de materiais básicos e risco à saúde dos servidores.
“No quadro geral, os nossos policiais estão desguarnecidos, sem material básico de trabalho. A maioria das estruturas da capital e do interior está deteriorando por falta de manutenção. Essa é a situação que os nossos policiais civis passam”, denunciou o presidente do sindicato, Rafael Diniz.
Atualmente, o Acre conta com 45 delegacias, sendo 15 em Rio Branco. De acordo com o sindicato, poucas passaram por reformas entre elas, a Central de Flagrantes, que integra um grupo minoritário de prédios recuperados. Já outras unidades seguem em situação crítica, segundo o relatório da fiscalização.
Durante as visitas, uma das estruturas mais críticas encontradas foi o depósito de veículos da Polícia Civil, que recentemente foi alvo de furtos. A fragilidade da segurança e as condições de trabalho dos servidores foram duramente criticadas pelo sindicato, que classificou o ambiente como insalubre e desumano.

“Lá no depósito é uma situação análoga à escravidão. Já houve audiência pública na Assembleia Legislativa para tratar disso, mas só fizeram uma maquiagem na entrada. O tratamento aos servidores e aos bens da população é vergonhoso. Quem tem um bem apreendido pelo Estado, pode esquecer: ele vai se acabar ali”, afirmou Rafael Diniz.
O presidente também relatou situações de servidores trabalhando sem água potável, sem energia para ar-condicionado, sob risco de picadas de animais peçonhentos* e com total falta de segurança orgânica.
“A punição para o policial é sempre mais fácil. Mas a estrutura para que ele exerça sua função com dignidade simplesmente não existe em muitos locais”, completou.
Como resultado da operação, um relatório técnico está sendo finalizado e será encaminhado à Direção-Geral da Polícia Civil, ao Ministério Público e também à Vigilância Sanitária. O documento reúne fotos, vídeos e testemunhos dos policiais lotados nas unidades vistoriadas.
Na próxima semana, o sindicato dará início à fiscalização nas delegacias do interior do estado, com o mesmo objetivo: expor as falhas estruturais e cobrar melhorias nas condições de trabalho.
Com informações do Repórter Luan Rodrigo, para a TV Gazeta



