A poucos quilômetros após a Vila Manuel Marques, na Transacreana, fica o acesso ao Polo Wilson Pinheiro, zona rural de Rio Branco. A 17 quilômetros do centro da capital, moradores vivem dias de tensão após a aparição de uma onça parda, também conhecida como onça vermelha. O animal tem sido visto com frequência no ramal da linha dois e provocado medo entre as famílias que dependem da agricultura para sobreviver.
Na propriedade de Ana Maria, a rotina mudou. Ela conta que perdeu galinhas e até uma cachorra, e acredita que os ataques tenham sido da onça. Desde então, deixou até de frequentar a igreja à noite.
“A gente não tem arma, não tem como se proteger. E a gente tem a nossa criação, né? Já sumiu minha cachorra, a gente teme pelas crianças que brincam no quintal. Eu tenho medo pela vida da nossa família”, relatou.
No sítio de José Chagas, enquanto preparava a cebolinha que vende nas feiras, o agricultor disse nunca ter visto a onça, mas já encontrou pegadas perto da horta. Ele teme pelo neto, que costuma brincar no quintal.
“Já viram ela passando duas vezes na estrada, até perto da escola. Outra moça viu quando voltava da igreja, atravessou na frente do carro. Também teve um rapaz de moto que olhou pra trás e viu ela vindo atrás”, contou.
Os relatos circulam até em grupos de WhatsApp. Uma produtora que não estava em casa no dia da visita da reportagem disse que viu a onça atravessando a estrada no final da tarde.
“Ela passou na frente do meu carro, mais ou menos cinco e quarenta. Era uma onça vermelha”, escreveu no grupo.
Tereza Pmtuest, que trabalha com hortaliças, disse que parou de levar o neto para o roçado com medo do animal. Ainda assim, ela e o marido continuam a se arriscar diariamente para não perder a produção.
“O perigo é maior para as crianças. Eu fico com medo dela vir por trás, a gente não vê. Mas temos que trabalhar, né?”
O agricultor João Barbosa mostrou as evidências mais fortes: pegadas grandes registradas em seu terreno. Segundo ele, os cachorros que costumavam acompanhá-lo no plantio pararam de ir ao local.
“Era pegada de felino, muito visível. Ela veio da mata, atravessou o roçado e chegou perto das casas. Eu não tenho medo, mas o risco para as crianças é grande”, afirmou.
A área do Polo Wilson Pinheiro é cercada por vegetação nativa que se conecta à mata do antigo colégio agrícola, hoje unidade do IFAC (Instituto Federal do Acre). O cenário facilita o deslocamento do felino, que pode estar buscando alimento próximo às residências.
Os moradores já acionaram o Ibama, mas, segundo eles, os técnicos apenas recomendaram que protegessem os animais domésticos em locais seguros. A comunidade, no entanto, pede uma medida mais efetiva.
“Queremos que capturem essa onça antes que aconteça o pior”, cobrou Ana Maria.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



