No mês do Outubro Rosa, campanha que alerta sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, o Acre enfrenta sérios desafios. O estado tem uma das menores coberturas de mamografia do país, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o que coloca em risco a saúde das mulheres acreanas.
A baixa adesão preocupa especialistas. “Com a baixa realização da mamografia, o que acontece é o aumento do diagnóstico de câncer de mama em estágio clínico avançado. A taxa de cura é muito menor e as pacientes acabam precisando de tratamentos mais agressivos, com maior risco de mortalidade. Quanto mais a gente conscientiza a população, maior a realização da mamografia”, afirmou a ginecologista e mastologista Laís Bulsoni.
De acordo com a pesquisa Controle do Câncer de Mama no Brasil, em 2024, 46,3% das mulheres acreanas de 50 a 59 anos nunca realizaram mamografia, uma das piores taxas do país. Os números também revelam oscilações: em 2019 foram feitos 4.623 exames, mas em 2020, durante a pandemia, esse total caiu para 1.690. Em 2023, houve recuperação, com cerca de 6.200 mamografias realizadas, ainda abaixo do ideal.
Na semana passada, o governo federal anunciou a ampliação do acesso ao exame: agora, mulheres a partir dos 40 anos também poderão realizar a mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Antes, a recomendação era entre 50 e 60 anos. A medida deve ampliar as chances de detecção precoce.
“Isso foi um ganho muito grande, tendo em vista que o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e representa a principal taxa de mortalidade feminina. A Organização Mundial de Saúde indica que 70% da população deveria ser assistida com a mamografia de rastreamento, enquanto no Brasil esse índice é de 58%. Na região Norte, esse número é ainda menor”, reforçou Bulsoni.
Além da baixa cobertura, a falta de infraestrutura hospitalar e a distância entre cidades dificultam o acesso das acreanas ao exame. Outro dado que preocupa é que 30,5% das mulheres acima de 18 anos no Acre nunca realizaram o exame clínico das mamas, importante para quem apresenta sintomas, embora não seja indicado como rastreamento em mulheres assintomáticas.
A especialista também alerta para o aumento de diagnósticos em mulheres mais jovens. “Hoje, pacientes abaixo de 40 anos representam cerca de 12% dos casos. A idade média de diagnóstico vem diminuindo, o que tem relação com fatores como sedentarismo, obesidade, consumo de álcool, tabagismo e alterações no padrão reprodutivo, como ter filhos mais tarde, em menor número, e amamentar menos”, explicou.
A campanha Outubro Rosa busca reforçar a importância da prevenção, mas, segundo a médica, é fundamental que a conscientização não se restrinja a este mês.
“O que reduz a mortalidade não é o autoexame, mas a mamografia. O autoexame é importante, mas, quando a paciente percebe algo, o câncer já está em estágio mais avançado. A mamografia é o exame padrão para identificar alterações antes de qualquer manifestação clínica”, destacou Bulsoni.
O desafio do Acre, segundo especialistas, é avançar na cobertura dos exames para que mais mulheres tenham acesso ao diagnóstico precoce e, consequentemente, a maiores chances de cura.
Com informações do repórter Marilson Maia para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



