Os crimes virtuais têm se tornado uma preocupação crescente dentro das escolas. Entre os mais recentes e graves está o chamado deepfake sexual, que utiliza inteligência artificial (IA) para criar vídeos falsos de teor íntimo, colocando em risco a integridade e a imagem das vítimas, geralmente adolescentes. Outro problema recorrente é o cyberbullying, que continua afetando a saúde emocional de muitos estudantes.
Um programa desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE/AC), vem utilizando estratégias criativas para conscientizar os estudantes. Por meio de jogos digitais baseados em histórias em quadrinhos e palestras interativas, o projeto desperta o senso crítico dos jovens sobre o uso seguro da internet.
Yasmim Lemkull, coordenadora do Núcleo de Tecnologia Educacional da SEE/AC (NTE), explica que uma das estratégias desenvolvidas foi um jogo de celular, com temas relacionadas aos abordados nas palestras e salas de aula.
“Nós visitamos as escolas, estamos presentes na sala de aula, no chão da sala de aula com os alunos, passando por meio de atividades lúdicas e de uma palestra gamificada sobre os riscos que a internet pode oferecer, o mau uso das tecnologias, e que o mau uso das redes podem trazer malefícios às suas vidas e danos, é um alerta que a gente tem que levar para além da sala de aula”, explica.
O NTE já levou o projeto a cerca de 8 mil alunos da rede estadual de ensino de todo o Acre. Uma das escolas contempladas foi a de ensino fundamental Anos Finais, Marina Vicente Gomes, no bairro Boa União. Para o coordenador pedagógico, Elias Alves, o intuito é orientar os alunos e mostrar a importância do tema.
“Já tiveram alguns casos registrados, não tão graves, mas a gente sempre procura apurar os fatos, traz os alunos, tenta entender o surgimento e o porquê e chama os pais, pede ajuda dos pais, que é muito importante, para que eles possam orientar seus filhos”, disse.
As atividades têm alcançado resultados positivos. Os próprios alunos reconhecem a importância de falar abertamente sobre o tema e de se protegerem no ambiente virtual. Para a estudante do 8° ano da Escola Marina Vicente, é importante que os pais também conversem com os filhos.
“Esse é um assunto que a gente sabe que é bem complexo, que todos os alunos, todas as crianças devem saber sobre esses assuntos. E os pais, principalmente, conversarem. E é o que a nossa escola Marina Vicente trabalha, justamente com essa questão do bullying, e do cyberbullying”, disse.
Para o professor e especialista em proteção de dados Madson Rocha, os crimes de deepfake sexuais ainda não têm registros no Acre, mas o alerta é fundamental.
“Aqui no estado do Acre, até o presente momento, nós não tivemos casos famosos registrados sobre deepfakes ou esse tipo de tecnologia utilizada, mas é uma prática que com certeza acontece. Além disso, uma vez que você tome conhecimento desse tipo de situação, você como vítima pode procurar não só as autoridades, mas também advogados de confiança que vão poder, através das leis que existem, como o Marco Civil da Internet, solicitar a retirada desse conteúdo da internet”, explica.
O trabalho conjunto entre escolas, professores, alunos e famílias é essencial para construir uma cultura digital mais consciente e segura, capaz de prevenir e combater crimes cibernéticos que, infelizmente, já são uma realidade no ambiente escolar. O mais importante é ficar atento e evitar compartilhamentos suspeitos.
“Ficar atento, não compartilhar, pois quem compartilha também comete crime e avisar a vítima. E acima de tudo, ter empatia com o próximo. Se coloque no lugar de alguém que poderia também ser vítima desse tipo de crime”, finalizou.
Com informações do repórter Marilson Maia, para TV Gazeta



